Gastos do governo Lula disparam e se aproximam do pico registrado na pandemia
As despesas da União sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegaram a R$ 2,633 trilhões no acumulado de 12 meses até maio e já se aproximam do maior nível da série histórica, registrado durante a pandemia de Covid-19. Segundo dados do Tesouro Nacional, o volume de gastos está apenas R$ 189,5 bilhões abaixo do recorde de R$ 2,822 trilhões, alcançado em novembro de 2020, quando o país enfrentava despesas extraordinárias para combater a crise sanitária.
O avanço é impulsionado principalmente pela explosão das despesas obrigatórias. Apenas os gastos com a Previdência somaram R$ 1,117 trilhão nos últimos 12 meses, mais que o dobro dos R$ 440,1 bilhões destinados ao pagamento de servidores públicos. Também pesou o aumento das despesas com o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
A expansão acelerada dessas despesas tem comprimido o Orçamento e dificultado o cumprimento do próprio arcabouço fiscal criado pelo governo Lula. Como Previdência e BPC são reajustados automaticamente pela política de valorização do salário mínimo, o crescimento desses gastos reduz a margem para investimentos e obriga a equipe econômica a cortar outras áreas.
Diante da deterioração das contas, o Ministério da Fazenda ampliou para R$ 23,7 bilhões o bloqueio de despesas do Orçamento para tentar cumprir as metas fiscais. No último relatório bimestral, o governo também revisou para cima as projeções de gastos, elevando em R$ 14,1 bilhões a estimativa para o BPC e em R$ 11,5 bilhões a previsão para benefícios previdenciários.
O avanço das despesas também aumenta a pressão sobre a dívida pública. Quando os gastos crescem acima das receitas, o governo precisa ampliar a emissão de títulos para financiar o déficit. Em abril, a dívida pública federal atingiu R$ 8,798 trilhões, alta de 1,91% em relação ao mês anterior, aproximando-se de 70% do PIB.

