Diretor da PF diz que sanções dos EUA ao PCC atrapalharam investigação
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que as sanções impostas pelos Estados Unidos contra integrantes do PCC prejudicaram uma investigação conduzida pela corporação e impediram a localização de Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como um dos principais alvos da operação deflagrada nesta semana.
Durante entrevista coletiva, Rodrigues declarou que a decisão das autoridades americanas de classificar o PCC como organização terrorista alterou o planejamento da investigação.
Segundo o diretor da PF, a operação precisou ser antecipada após a medida adotada pelos Estados Unidos, o que, na avaliação da corporação, reduziu as chances de localizar Shimada.
“Alterou a nossa ação. Houve uma antecipação da operação. Se não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro e nós teríamos localizado essa pessoa. Infelizmente, não localizamos. Houve prejuízo à investigação”, afirmou.
De acordo com as investigações, Shimada é apontado como integrante de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas que teria movimentado mais de R$ 10 bilhões.
As apurações tiveram início em 2023, após uma abordagem realizada pela Homeland Security Investigations (HSI) no aeroporto de Fort Lauderdale, na Flórida. Na ocasião, agentes americanos detiveram o brasileiro Ygor Foki Saviolli e encontraram, em seu celular, mensagens e imagens que deram origem ao compartilhamento de informações com as autoridades brasileiras.
Segundo a investigação, Saviolli atuava ao lado de Shimada na estrutura financeira do grupo investigado.
Shimada chegou a ser preso em 2024 e foi condenado em 2025. Posteriormente, deixou a prisão por decisão judicial e, segundo a Polícia Federal, passou a ser considerado foragido.

