Walter Cruz critica feitos da Gestão Municipal, mas à frente do Manaustrans foi alvo de investigação por desvio milionário
Ex-diretor do órgão de trânsito foi denunciado na Operação Consladel e condenado a devolver R$ 10 milhões aos cofres públicos
As declarações do coronel aposentado Walter Cruz voltaram ao centro do debate político após comentários feitos em programa televisivo na última segunda-feira. Durante a participação, ele criticou a presença de secretários e apoiadores do prefeito David Almeida na coletiva que oficializou a pré-candidatura do chefe do Executivo ao Governo do Amazonas.
Em episódio mais recente, o coronel direcionou críticas ao secretário municipal Sabá Reis, afirmando ter sido intimidado por meio de ligação telefônica e convocando-o para um debate ao vivo. Walter Cruz também mencionou a chamada “Operação Dentes de Marfim”, na qual o nome de Sabá Reis teria sido citado, embora o caso não tenha resultado em condenação definitiva contra o secretário.
Críticas à Guarda Municipal
Em outras ocasiões, Walter Cruz questionou a atuação ostensiva da Guarda Municipal de Manaus, afirmando que a corporação não teria prerrogativa para esse tipo de ação. No entanto, a legislação federal respalda a ampliação das competências das guardas municipais.
A Lei nº 13.022/2014, que institui o Estatuto Geral das Guardas Municipais, autoriza a atuação preventiva e comunitária das corporações, inclusive com porte de arma mediante requisitos legais. Decisões posteriores do Supremo Tribunal Federal (STF) também reconheceram a possibilidade de atuação das guardas em policiamento preventivo, dentro de suas atribuições legais.
Operação Consladel e denúncias do MP
As declarações do coronel reacenderam discussões sobre sua própria trajetória à frente do antigo Manaustrans, órgão municipal de trânsito que dirigiu na gestão do ex-prefeito Amazonino Mendes.
Walter Cruz Júnior foi um dos denunciados pelo Ministério Público do Amazonas na chamada Operação Consladel, que investigou supostas irregularidades em contrato firmado entre a Prefeitura de Manaus e a empresa responsável pela instalação e manutenção de radares eletrônicos, conhecidos como “corujinhas”.
O contrato, renovado entre 2011 e 2014, previa serviços de segurança viária, manutenção e engenharia de trânsito. Segundo o MP-AM, havia inconsistências quanto à quantidade mínima de radares instalados, além de indícios de pagamento por serviços não executados.
A denúncia apontou ainda divergências em folhas de pagamento de funcionários, ausência de previsão orçamentária adequada e possível pagamento por funções inexistentes, como a de “supervisor de campo”. Entre os crimes citados na ação estavam peculato, falsidade ideológica e infrações contra a competitividade.
Além de Walter Cruz Júnior, também foram denunciados ex-gestores, fiscais e representantes da empresa contratada.
Condenação e devolução de recursos
No âmbito das decisões judiciais relacionadas à sua gestão, Walter Cruz foi condenado a devolver cerca de R$ 10 milhões aos cofres públicos, valor referente a irregularidades apontadas durante sua atuação como diretor-presidente do Manaustrans.
À época, ele havia sido nomeado por Amazonino Mendes com a missão de reorganizar o sistema de trânsito da capital. O coronel ganhou notoriedade pela postura rígida e pelo protagonismo na área de segurança pública municipal, sendo considerado uma figura de forte influência administrativa naquele período.
Críticos também apontaram denúncias de comportamento intimidador no trato com agentes de segurança, alegações que sempre foram negadas pelo ex-gestor.
Passado do Coronel
As recentes declarações de Walter Cruz, somadas ao seu histórico na administração pública, ampliam o debate político em Manaus. Enquanto critica a atual gestão e convoca adversários para confronto público, o passado administrativo do coronel também volta a ser lembrado por internautas.
O cenário pré-eleitoral, trás a tona ex-gestores com passados questionavéis para que possamos analisar.

