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Tragédia Anunciada em Sena Madureira: Desabamento de ponte de R$ 36 milhões expõe incompetência de Sula e Egleuson

A incompetência técnica e administrativa sob as gestões de Sula Ximenes (Deracre) e Egleuson Santiago (Sehurb) tornou-se indefensável. A queda da estrutura recém-inaugurada deixou dois mortos e sete feridos, escancarando uma sucessão de erros técnicos e mostrando o quanto o governador foi mal assessorado por sua equipe de confiança.

SENA MADUREIRA (AC) — O que deveria ser um marco de desenvolvimento e mobilidade para o terceiro município mais populoso do Acre transformou-se em um cenário de luto, poeira e escombros. No início da noite desta sexta-feira (5), cerca de 60% da ponte Frei Paolino Baldassari, que cruza o rio Iaco, desabou. A tragédia deixou ao menos dois mortos e sete feridos, exigindo uma força-tarefa imediata do Corpo de Bombeiros, Samu e polícias locais. Mas, além do resgate das vítimas, o desastre resgatou uma dura realidade: a de uma gestão pública marcada pelo amadorismo.


A ponte, com 232 metros de extensão, duas faixas para veículos e calçadas para pedestres, havia sido inaugurada recentemente. Custou aos cofres públicos aproximadamente R$ 36 milhões. No entanto, ruiu como um castelo de cartas, levantando graves questionamentos sobre a atuação dos responsáveis diretos pela obra: a presidente do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre), Sula Ximenes, e o secretário de Estado de Habitação e Urbanismo (Sehurb), Egleuson Santiago.

Sinais ignorados e o peso da incompetência
O desabamento não foi um capricho da natureza, mas uma tragédia com aviso prévio. Na quinta-feira (4), um dia antes do colapso fatal, a estrutura já havia sido interditada por risco de desabamento após a identificação de uma fenda. O Deracre chegou a emitir um comunicado afirmando que a ponte passaria por “avaliação”. A inércia e a falta de medidas de contenção ou respostas rápidas diante de um defeito estrutural severo em uma obra nova evidenciam a letargia das pastas envolvidas.


A incompetência técnica e administrativa sob as gestões de Sula Ximenes (Deracre) e Egleuson Santiago (Sehurb) tornou-se indefensável. Uma obra de infraestrutura pesada, orçada na casa das dezenas de milhões e entregue recentemente, não pode apresentar falhas estruturais dessa magnitude. A dupla, que deveria garantir a excelência da engenharia, do urbanismo e a segurança da população, falhou no planejamento, na fiscalização e, tragicamente, na prevenção.

Um governador cercado pela má assessoria
O colapso da ponte Frei Paolino Baldassari atinge em cheio a imagem do Executivo estadual. O governador da época, que cortou a fita de inauguração celebrando a obra como um de seus grandes feitos, foi vítima de uma assessoria flagrantemente desastrosa.
Ao confiar a execução e a fiscalização de um projeto tão sensível às mãos de Ximenes e Santiago, o chefe do Executivo comprou um grave problema. Os relatórios otimistas e as garantias de qualidade que certamente chegaram à mesa do governador provaram-se falaciosos. O Executivo foi blindado da realidade técnica por uma equipe que priorizou a entrega política em detrimento do rigor da engenharia. O resultado de ser tão mal assessorado custou não apenas R$ 36 milhões ao erário, mas, acima de tudo, vidas humanas.

Luto e cobrança por Justiça
Enquanto Sena Madureira, cidade de 44 mil habitantes localizada a 140 quilômetros de Rio Branco, chora a perda de seus moradores e acompanha a angústia das famílias dos feridos, a indignação toma conta do estado.
A queda da ponte Frei Paolino Baldassari deixa uma cicatriz profunda no Acre e uma lição amarga sobre os custos da má gestão. Resta agora às autoridades competentes investigar não apenas os escombros de concreto no rio Iaco, mas também os gabinetes do Deracre e da Sehurb, para que a incompetência que custou vidas não fique impune.