Sindmetal pede que Honda cancele visita de Flávio Bolsonaro; ‘contra a ZFM’ , veja vídeo
Presidente do sindicato e quadro histórico do PT-AM critica a ida de Flávio Bolsonaro a uma fábrica da Zona Franca
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), Valdemir Santana, fez um pedido público para que a Moto Honda cancele a visita do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), prevista para esta sexta-feira (11).
“Ficamos sabendo que um candidato à Presidência vai visitar a empresa, alguém que é contra o PIM, contra a ZFM e contra a redução da jornada de trabalho. Isso é um absurdo. Quero pedir à direção da Moto Honda que cancele essa visita”, disse em vídeo publicado nas redes sociais.
Valdemir Santana, que também é um quadro histórico do PT no Amazonas, afirmou que não se pode aceitar a ida do candidato do PL a qualquer fábrica do Polo Industrial de Manaus.
“Não podemos aceitar que uma pessoa contrária ao Polo Industrial visite a maior empregadora do estado do Amazonas. Somos a favor de posições políticas, mas não de medidas que retirem nossos empregos”, argumentou.
Histórico
Na votação do parecer da reforma na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em 7 de novembro de 2023, Flávio Bolsonaro se queixou de proteções ‘extras’ à Zona Franca após o relator da reforma, senador Eduardo Braga (MDB-AM), rejeitar uma emenda dele que tratava de royalties de petróleo.
“Se essa emenda que mantém o caráter competitivo do Rio de Janeiro e garante a sua própria existência não pode ser aprovada, a gente também tem que discutir que não pode estar no texto da PEC dispositivos que dão à Zona Franca de Manaus mais benefícios do que ela possui, hoje”, afirmou à época.
Ele se referia à proposta de criação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para a Zona Franca. O mecanismo previa a cobrança de um tributo extra sobre produtos fabricados em qualquer outro estado do Brasil, desde que esses mesmos itens também fossem produzidos no Polo Industrial de Manaus.
A ideia era manter a vantagem do Amazonas, onde as fábricas precisam lidar com custos extras, especialmente de logística, encarecendo a produção. A Cide, proposta no Senado, depois foi retirada da reforma tributária pelo relato do projeto na Câmara dos Deputados.
Vale do Silício
Flávio Bolsonaro também criticou um parágrafo da reforma que previa que novas concessões de benefícios fiscais só podem ocorrer na Zona Franca de Manaus, exceto para produtos como armas, munições, fumo, bebidas alcoólicas, automóveis de passageiros, produtos de perfumaria, entre outros.
“Resumindo, Manaus tem que ser o novo Vale do Silício e o resto do Brasil uma Argentina, já que as indústrias de todo o país vão para a Zona Franca de Manaus por causa do custo baixo de produção ou serão incentivadas a adquirir matérias-primas no Amazonas. Isso pode causar desemprego no Brasil inteiro, exceto no Amazonas”, afirmou, à época.
Flávio Bolsonaro foi um dos seis votos contrários ao parecer favorável à reforma tributária na (CCJ do Senado, mas o texto acabou aprovado por 20 votos a favor. O texto também passou na Câmara e depois foi sancionado pelo presidente Lula (PT), garantindo diferenciais competitivos à Zona Franca.

