Sem energia, ponte e coleta de lixo, moradores de ramal em Iranduba denunciam abandono do poder público
Comunidade de Iranduba relata falta de infraestrutura básica, dificuldades no acesso à saúde e afirma sofrer hostilidade ao cobrar melhorias. Durante visita, ex-secretário e pré-candidato Jender Lobato defendeu investimentos e disse que “o abandono sentido pela comunidade é reflexo da realidade vivida em todo o Amazonas”.
A apenas 23 quilômetros de Manaus, moradores do Ramal Nonato Lopes, em Iranduba, convivem com problemas que vão da falta de energia elétrica ao isolamento provocado pela ausência de uma ponte. A precariedade também afeta a coleta de lixo e o acesso à saúde. Além da falta de infraestrutura, moradores afirmam sofrer hostilidade e intimidação por parte da Prefeitura de Iranduba sempre que cobram melhorias para a comunidade.
Durante a visita, o ex-secretário de Cultura e pré-candidato a deputado estadual, Jender Lobato atribuiu os problemas relatados pelos moradores à falta de planejamento e de prioridade na gestão pública. As demandas apresentadas pela comunidade não exigem grandes obras, afirma, mas organização administrativa e vontade política para executar intervenções básicas de infraestrutura.
O problema mais urgente: energia
A falta de energia elétrica ainda faz parte da rotina de pelo menos sete das cerca de 30 famílias que vivem no ramal.
Entre elas está a aposentada Raimunda Barbosa, diabética e dependente de insulina. Sem geladeira para armazenar o medicamento, ela improvisa uma caixa térmica para conservar a insulina.
A comunidade relata que uma das principais dificuldades para levar a rede elétrica até parte das residências é justamente a inexistência de uma ponte sobre um igarapé que corta o ramal, impedindo a continuidade da infraestrutura.
Além disso, moradores afirmam enfrentar entraves burocráticos e financeiros junto à Amazonas Energia e à Prefeitura de Iranduba para conseguir a ligação do serviço.
Ponte que nunca saiu do papel
Segundo os moradores, o problema é antigo.
Sem respostas do poder público, a própria comunidade passou a organizar mutirões para realizar pequenos serviços de manutenção no ramal.
Uma das principais reivindicações é a construção de uma ponte, considerada essencial para garantir o acesso das famílias e permitir a expansão da rede elétrica.
“Se o ramal não está no mapa, como diz a prefeitura, por que pagamos IPTU?”, questionou um dos moradores.
Outro relato resume a sensação de abandono.
“Foram três anos para uma máquina passar aqui no ramal. Pedimos muito para a prefeitura. Vieram esta semana, finalmente.”
Cobranças acompanhadas de hostilidade
Além das dificuldades estruturais, moradores afirmam que cobrar melhorias também se tornou motivo de preocupação. Segundo eles, pedidos por obras, como o asfaltamento do ramal e a construção da ponte, costumam ser recebidos com hostilidade por representantes da administração municipal.
Os relatos apontam que o receio de represálias faz parte da rotina da comunidade. Um dos episódios mencionados durante a visita envolve o cancelamento de um evento da cantora amazonense Márcia Siqueira, que, segundo moradores e fazedores de cultura presentes na reunião, teria ocorrido após desentendimentos com a Prefeitura de Iranduba.
Lixo também virou problema
A precariedade da estrada afeta até mesmo a coleta de resíduos.
Segundo os moradores, o caminhão da coleta se recusa a entrar no ramal por causa das condições da via. Como alternativa, as famílias precisam caminhar até a entrada da comunidade para descartar o lixo.
Ao final da visita, Jender afirmou que a realidade do Ramal Nonato Lopes não é um caso isolado e reflete problemas enfrentados por comunidades em diferentes regiões do estado.
“Esse abandono que vocês estão sentindo é o mesmo que muitas comunidades do Amazonas vivem. Não é falta de solução, porque uma ponte de cinco metros é simples de construir. O que falta é gestão, prioridade e compromisso com quem mora aqui. Quando a infraestrutura não chega, ela impede a energia, dificulta a coleta de lixo, prejudica o acesso à saúde e compromete a qualidade de vida da população.”
Recursos previstos
Os relatos dos moradores contrastam com a capacidade de investimento prevista para o município. A Lei Orçamentária Anual (LOA) de Iranduba estima um orçamento de R$ 298,9 milhões para 2025, enquanto o Plano Plurianual (PPA) prevê um programa específico, denominado “Mais Infraestrutura”, voltado à execução de obras, manutenção de vias e serviços de limpeza urbana.
Além disso, em 2026, a Prefeitura de Iranduba prorrogou por mais um ano o contrato para locação de máquinas e veículos destinados à coleta de lixo domiciliar e à limpeza urbana, incluindo o atendimento às comunidades rurais.

