Saúde Pública do Amazonas em Crise: A Herança da Gestão Wilson Lima Onde Roberto Cidade Tenta Fazer Nome Pra Reeleição; Caos Continua
A saúde pública do Amazonas vive um dos seus piores momentos de avaliação popular. A gestão do ex-governador Wilson Lima, de 2019 a 2022, foi marcada por crises durante a pandemia e por problemas estruturais que, segundo críticos, não foram resolvidos. Agora, com o atual governador Roberto Cidade no comando e o ex-secretário de Saúde Marcellus Campelo se articulando para concorrer a deputado estadual, o tema voltou ao centro do debate político.
Cinco Pontos Importantes á serem lembrados:
1- O Escândalo dos Respiradores na Pandemia
Um dos episódios mais citados é a compra de 28 respiradores em 2020 por R$ 2,9 milhões de uma empresa de vinhos, durante o colapso do sistema de saúde em Manaus. O contrato foi cancelado após forte repercussão e virou alvo de investigações do Ministério Público do Amazonas e da Polícia Federal. Para opositores, o caso simboliza a falta de planejamento e a condução da crise sanitária no estado.
2- Pacientes nos Corredores e Falta de Leitos
Durante os picos da Covid-19 e também em períodos de surtos de outras doenças respiratórias, hospitais e UPAs de Manaus registraram imagens de pacientes em macas nos corredores. Conselhos de saúde e entidades médicas apontaram na época a superlotação, demora no atendimento e falta de vagas de UTI e enfermaria como principais causas. A SES-AM atribuía o problema ao aumento da demanda e à dificuldade de regulação entre os 62 municípios.
3- Sisreg: O Gargalo da Regulação
O Sistema Nacional de Regulação – Sisreg, responsável por autorizar consultas, exames e internações pelo SUS, é alvo constante de reclamações. Usuários relatam demora para conseguir vagas e falta de transparência. Relatórios do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas em 2023 e 2024 apontaram falhas no fluxo de regulação e recomendaram melhorias. A secretaria informou que vinha implantando novos módulos e capacitação para os municípios.
4- Marcellus Campelo: De Gestor da Crise a Candidato
Marcellus Campelo esteve à frente da SES-AM de 2019 a 2022, justamente no período mais crítico da pandemia no Amazonas. Após deixar o cargo, ele passou a ser cotado como pré-candidato a deputado estadual pelo grupo político de Wilson Lima. Aliados defendem sua experiência na gestão. Opositores usam o período à frente da pasta para questionar sua candidatura, citando os problemas da saúde naquele período.
5- Governo Roberto Cidade: “Herança Maldita” ou Continuidade?
Roberto Cidade assumiu o governo e herdou uma rede de saúde com desafios históricos: dimensão territorial, logística e déficit de profissionais. Críticos afirmam que a atual gestão segue “no mesmo passo e compasso” do governo anterior, sem mudanças estruturais. O governo, por outro lado, destaca entregas como policlínicas, hospitais regionais e programas de interiorização de médicos. Diz ainda que vem trabalhando para informatizar e agilizar o Sisreg e reduzir filas.
O Que Está em Jogo
Para setores da oposição, o cenário atual é resultado direto da “péssima gestão” dos últimos anos: contratos emergenciais questionados, falta de leitos e um sistema de regulação que não funciona. Para a base do governo, os problemas são estruturais e agravados pela pandemia, e as soluções exigem tempo e investimento contínuo.
Com as eleições se aproximando, a saúde deve ser um dos principais temas. A candidatura de Marcellus Campelo coloca diretamente a avaliação da gestão 2019-2022 na urna, enquanto Roberto Cidade precisa responder pelo que foi feito – e pelo que ainda não foi – desde que assumiu.
Jornalista: Jair Jr (JJ) – DRT 1844/AM

