Pré-candidatos à Presidência reagem a novo tarifaço dos EUA
Governo de Donald Trump taxou produtos brasileiros em 25%
Os pré-candidatos à Presidência reagiram nesta quinta-feira (16), à tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atribuiu a culpa às provocações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), assim como Romeu Zema (Novo). Já Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) criticaram a atuação dos Bolsonaros nos EUA e o governo
Em nota, o governo brasileiro repudiou a tarifa e disse não haver justificativa para a medida, citando superávit comercial dos Estados Unidos com o Brasil de 424,5 bilhões de dólares nos últimos 15 anos. Afirmou ainda que negociou “ininterruptamente” com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). Também atribuiu o desfecho das investigações à “ativa colaboração da família Bolsonaro”, movida por objetivos eleitoreiros.
Em vídeo nas redes sociais, Flávio Bolsonaro usou uma declaração do secretário de Estado americano Marco Rubio, no X, para responsabilizar o comportamento do presidente pelo tarifaço.
Flávio também questionou a capacidade de Lula para governar, comparando a condução do País a “um avião sem piloto” e classificando o presidente de “Biden brasileiro” “ranzinza” e “inconsequente”.
– O Lula não tem mais condições de ser presidente do Brasil. [.. ] Quem olha Lula não enxerga futuro, enxerga passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança – disse.
Romeu Zema seguiu linha semelhante à de Flávio Bolsonaro. Em nota encaminhada à imprensa, o pré-candidato mineiro responsabilizou os “atritos desnecessários” e o “discurso eleitoreiro” pelo tarifaço.
– Se tivesse agido de maneira técnica e responsável, poderia ter evitado uma retaliação que, de qualquer forma, não se justifica – afirmou Zema.
O ex-governador de Minas também condenou o tarifaço como medida protecionista que prejudica os interesses do Brasil e desrespeita os vínculos históricos entre os dois países. Disse ver “com preocupação” os efeitos sobre a indústria brasileira, que perde competitividade no mercado americano.
Ronaldo Caiado, por sua vez, foi ao ataque dos dois pré-candidatos que lideram as pesquisas: Lula e Flávio.
– Veja que situação o Brasil está. Um fazendo piada com a dentadura do Trump e o outro pedindo para que realmente fosse adiado para depois das votações – afirmou Caiado nas redes sociais.
Ele se refere à declaração do presidente desta terça (14). Lula afirmou que próteses do Sistema Único de Saúde (SUS) são superiores à “dentadura de Trump”. Já Flávio, enviou documento ao USTR pedindo adiamento do tarifaço para depois das eleições, alegando que a punição dos EUA beneficiaria Lula nas urnas.
Caiado registrou indignação e afirmou que os dois colocaram o interesse de campanha eleitoral à frente da defesa do País.
– O Brasil precisa de um presidente que tenha estatura para poder sentar naquela cadeira – disse.
Também classificou a decisão americana como uma “penalização direta” a quem trabalha e produz
Renan Santos adotou a mesma estratégia. Disse que o presidente não sentou para negociar com os Estados Unidos nem usou as terras raras brasileiras como moeda de troca, e que Lula “comemora” a tarifação para tentar surfar a popularidade enquanto finge enfrentar os americanos.
Renan chamou a família Bolsonaro de “puxa-sacos” de Trump, dizendo que o aceno feito por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos foi transformado em tarifa pelo presidente americano.
O pré-candidato classificou o episódio como uma disputa “meramente política” em que “o interesse brasileiro fica jogado no lixo”.
– Comigo no poder isto não vai acontecer. Eu vou para cima dos Estados Unidos numa negociação séria e colocar a questão das terras raras na mesa – disse.

