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Praça da Saudade vira sala de aula a céu aberto para conservação do patrimônio histórico da capital

A teoria ganhou rua, monumentos, água, equipamentos e, principalmente, trabalho manual nesta quarta-feira, 26/8, na praça 5 de Setembro, mais conhecida como praça da Saudade, no Centro Histórico de Manaus. Equipes da Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), participaram de uma ação prática das Oficinas de Conservação e Zeladoria do Patrimônio Cultural, promovidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do Amazonas, com profissionais para aprendizado de técnicas de conservação diretamente sobre um dos monumentos históricos da capital.

A atividade ainda teve participação ativa de servidores da Manaus Luz e das secretarias municipais de Limpeza Urbana (Semulsp) e Infraestrutura (Seminf), além do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), em uma operação integrada para preparar o espaço, fornecer infraestrutura e acompanhar a limpeza e conservação do monumento em homenagem a Tenreiro Aranha, o primeiro presidente da província do Amazonas.

Mais do que uma aula, a atividade transformou a praça em um laboratório de patrimônio a céu aberto. O restaurador Antonio Luís Ramos Sarasá, idealizador e coordenador da Zeladoria do Patrimônio Cultural, conduziu a demonstração de técnicas de limpeza seletiva e conservação aplicadas a elementos pétreos e de bronze.

“Trabalhar com a zeladoria do patrimônio cultural é trabalhar com zelo, amor e afeição. É trazer para a população a compreensão de que esses monumentos e esses prédios são nossos. Existe a gestão da prefeitura, existe a gestão do Iphan, mas o patrimônio é nosso”, explicou Sarasá.

Para ele, a conservação precisa deixar de ser uma atividade restrita a especialistas e passar a envolver toda a sociedade. “Enquanto o restauro é muito exclusivo, a zeladoria entra com todo mundo. Entram aqueles que limpam a madeira, aqueles que entendem a degradação. A importância é colocar todas as pessoas em um processo proativo de cuidado com o patrimônio, e não apenas reativo”.

Na praça da Saudade, a experiência foi além da observação. Os participantes puderam acompanhar procedimentos de limpeza e conservação em elementos históricos, compreendendo na prática como diferentes materiais respondem ao tempo, à ação climática, à poluição e ao uso cotidiano do espaço público.

Para Landa Bernardo, gerente de Patrimônio Histórico (GPH) do Implurb, a ação demonstra a importância de integrar conhecimento técnico e estrutura pública para cuidar do patrimônio.

“Hoje, está acontecendo uma ação conjunta entre a oficina de restauro promovida pelo Iphan e a equipe do Implurb em relação ao monumento Tenreiro Aranha, que fica na praça 5 de Setembro, a praça da Saudade. A atividade envolve diferentes equipes para fazer uma manutenção tanto da praça quanto do monumento, que hoje funciona como uma oficina a céu aberto para a conservação de monumentos pétreos e de bronze”, explicou.

Segundo Landa, a atuação do Implurb envolve também o suporte operacional necessário para que a formação aconteça. “O Implurb está acompanhando essa fase e dando apoio operacional, junto com as demais equipes, para ligar os equipamentos necessários, fazer o jateamento de água e a limpeza do entorno, que estava bastante sujo e com muitos detritos”.

A ação mostra, na prática, que a conservação do patrimônio começa muito antes de uma grande restauração. Ela passa pela limpeza, pela manutenção, pela identificação de problemas e pelo cuidado cotidiano.

Conhecimento que começa na prática

A proposta das oficinas é justamente aproximar diferentes profissionais e setores da conservação do patrimônio histórico. A primeira etapa da programação começou no dia 24 de agosto e segue até o dia 29, com seis oficinas presenciais de seis horas cada, voltadas principalmente para artífices. Pedreiros, carpinteiros, serralheiros, marceneiros e outros profissionais participam das atividades ao lado de representantes do poder público e da iniciativa privada.

Zeladoria para manter o patrimônio vivo

A diferença entre restaurar e conservar está justamente na capacidade de agir antes que o dano se torne irreversível. Para Sarasá, quanto maior for a participação coletiva na manutenção dos bens históricos, menor será a necessidade de intervenções restaurativas de grande porte.

“Se conseguirmos atuar dessa maneira, vamos diminuir cada vez mais as ações restaurativas. Vamos lidar com esse patrimônio vivo, e não mais com um patrimônio morto”, afirmou.

A ideia também amplia o significado do patrimônio. Para o restaurador, um monumento não é apenas pedra, metal, madeira ou concreto. Cada elemento carrega histórias, memórias e valores construídos ao longo das gerações.

“O patrimônio cultural não são só coisas. São valores, atos políticos que foram trazidos até nós. A gente precisa buscar esse conhecimento dos anciãos, usar isso hoje como transformação social e levar para a geração futura”, destacou.

Nesse entendimento, a conservação deixa de ser apenas uma técnica e passa a ser uma forma de pertencimento. Cuidar de uma praça, limpar um monumento ou identificar uma degradação passa a significar também reconhecer a história que aquele espaço carrega.

O patrimônio no cotidiano da cidade

A escolha da praça da Saudade para a atividade reforça essa proposta. Em vez de levar os participantes para uma sala fechada, o conhecimento foi levado para o espaço onde o patrimônio efetivamente existe e convive diariamente com a população.

A praça, os monumentos e os elementos históricos tornam-se, assim, ambientes de aprendizagem e também de sensibilização. Quem participa aprende a conservar, enquanto quem circula pelo espaço pode perceber que a preservação não depende apenas de grandes obras de restauração.

É um trabalho que começa com gestos aparentemente simples: limpar, observar, identificar, cuidar e compreender.

As Oficinas de Conservação e Zeladoria do Patrimônio Cultural do Centro Histórico de Manaus contam com consultoria técnica do Estúdio Sarasá Conservação e Restauração e buscam aproximar diferentes atores envolvidos na preservação, fortalecendo uma rede de profissionais, instituições públicas, iniciativa privada e comunidade.

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Texto – Divulgação / Implurb
Fotos – João Viana/ Semcom e Divulgação