PF apura se Lulinha foi beneficiário oculto do Careca do INSS após mensagens indicarem repasses e tentativas de ocultação
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que abriu uma linha específica de investigação para apurar se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, atuou como beneficiário oculto ou sócio de fato do esquema liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, acusado de comandar uma organização criminosa responsável por desvios bilionários de aposentadorias e benefícios previdenciários. A informação é do jornal Estadão.
A investigação se baseia em três núcleos de evidência convergentes:
- depoimentos formais;
- mensagens extraídas dos celulares do esquema;
- registros financeiros e de viagens.
A PF ressalta que ainda não há imputação criminal formal contra Lulinha, mas afirma que os elementos já reunidos justificam investigação aprofundada por possível ocultação de beneficiário final (laranja) e lavagem de dinheiro.
O empresário Edson Claro, ex-sócio do Careca do INSS em uma empresa de cannabis medicinal, afirmou em depoimento oficial que Camilo Antunes dizia reiteradamente que Lulinha era seu sócio oculto no empreendimento.
Segundo ele, Antunes relatou
“Antônio comentou ter enviado dinheiro a Fábio Lula, mencionando valor aproximado de 25 milhões, sem especificar se em reais, dólares ou euros, provenientes da comercialização de kits de dengue. Disse ainda que fazia pagamentos mensais de cerca de R$ 300 mil, como uma espécie de ‘mesada’.”
Nos dados extraídos do WhatsApp de Camilo Antunes, a PF encontrou uma ordem direta de pagamento no valor de R$ 300 mil para a empresa da empresária Roberta Luchsinger.
Na mensagem, o Careca do INSS justifica o repasse afirmando que o dinheiro era para:
“o filho do rapaz”
Para a PF, essa expressão é uma referência codificada a Lulinha, pois:
• o valor coincide com a “mesada” de R$ 300 mil citada por Edson Claro;
• Roberta mantinha relação direta com Lulinha;
• Roberta aparece em outros diálogos tratando do nome do filho do presidente.
Em outro diálogo, Roberta Luchsinger alerta Camilo Antunes que a polícia havia apreendido um envelope contendo o nome do filho de Lula:
“Foi apreendido um envelope com o nome do filho do Lula.”
Na sequência, ela manifesta preocupação com o impacto do achado, sinalizando que a vinculação deveria ser mantida fora de registros oficiais.
A PF apreendeu um manuscrito que confirma a conversa. O papel tratava da distribuição de ingressos para um camarote e trazia a anotação:
“Mínimas informações possíveis. CPF – Fábio (filho Lula)”
Segundo a PF, a frase indica ordem expressa para ocultar o nome de Lulinha em um benefício custeado por pessoas ligadas ao esquema.
A investigação também identificou que Lulinha e Roberta Luchsinger viajaram juntosem múltiplas ocasiões, com passagens compradas sob o mesmo código localizador — o que indica compra conjunta.
Foram encontrados voos:
• São Paulo ↔ Brasília
• São Paulo ↔ Lisboa
Lisboa era o centro da tentativa de expansão internacional dos negócios do Careca do INSS no setor de cannabis medicinal.
Ainda não se sabe quem pagou essas viagens, mas a PF investiga se foram custeadas com recursos do esquema.
A defesa de Lulinha afirma que ele nunca teve relação com o INSS. A defesa de Roberta diz que se trata de amizade pessoal.
A PF, no entanto, sustenta que o padrão identificado — uso de empresa intermediária, repasses fracionados, mensagens codificadas, ocultação de nome em documentos e viagens conjuntas — é típico de esquemas de ocultação de beneficiário final e lavagem de dinheiro.
O material já foi remetido ao STF, que acompanha a investigação.

