Política

Palácio do Planalto busca saída política para conter desgaste com Hugo Motta após impasse do PL Antifacção

O governo Lula intensificou articulações nos últimos dias para construir uma solução considerada “honrosa” para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), após o desgaste provocado pela condução do PL Antifacção. A estratégia do Planalto é desarmar a crise, preservar a interlocução com o deputado e impedir um racha entre o Republicanos e a base governista.

Segundo auxiliares do governo, uma reunião envolvendo Lula, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, o relator Guilherme Derrite (PP-SP) e o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil), deve ser marcada para a próxima semana. A ideia é realinhar expectativas, ajustar o texto e reconstruir a coordenação política em torno da proposta

Interlocutores de Gleisi reconhecem que a tensão em torno do projeto produziu ruídos significativos na relação com Motta – tratado até pouco tempo como aliado estratégico do governo em votações sensíveis. O mal-estar se agravou quando o deputado escolheu Derrite, aliado do governador paulista Tarcísio de Freitas, para relatar o projeto, decisão vista no Planalto como um movimento unilateral.

A escolha de Derrite abriu flancos políticos: governistas passaram a criticar pontos do relatório e acusaram o texto de esvaziar a Polícia Federal e alterar de forma descoordenada o arcabouço penal. O episódio foi interpretado como sinal de que Motta tentava agradar a diferentes polos, deixando o Planalto exposto.

Nos bastidores, a avaliação é que Lula tenta reduzir tensões oferecendo a Motta uma rota de recuo que não signifique perda de protagonismo. O Planalto teme que o desgaste se agrave caso o presidente da Câmara seja visto como derrotado ou isolado dentro de seu próprio partido.

Uma das saídas analisadas é promover uma reunião ampliada com líderes governistas para discutir ajustes no texto, permitindo a Motta reposicionar-se como articulador do consenso, e não como responsável pelo conflito. A fórmula buscada é oferecer concessões pontuais que preservem a autoridade da Câmara sem sacrificar o interesse do Executivo.