Homem que matou Paulo Onça após acidente será levado a júri popular em Manaus
Adeilson Duque Fonseca é acusado de homicídio qualificado pela morte do sambista, que morreu meses após as agressões
O juiz Fábio César Olintho de Souza, titular da 1.ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, decidiu nesta quinta-feira (09) que o empresário Adeilson Duque Fonseca será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri Popular. Adeilson é réu no processo que apura o homicídio qualificado do cantor e compositor amazonense Paulo Juvêncio de Melo Israel, conhecido como “Paulo Onça”.
Paulo Onça, uma das figuras centrais da música do Amazonas e do samba, faleceu em 26 de maio de 2025, após cinco meses internado no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV). A morte foi consequência de uma brutal agressão sofrida em 5 de dezembro de 202
O crime ocorreu após um acidente de trânsito entre o carro de Paulo Onça e o veículo conduzido por Adeilson. Segundo o relato de familiares, o cantor teria “furado” o sinal vermelho, resultando na colisão. Enfurecido, Adeilson Fonseca saiu do veículo e agrediu o artista com golpes na região da cabeça.
Adeilson Fonseca foi denunciado por homicídio (artigo 121) com as qualificadoras de motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Na decisão de pronúncia, o juiz Fábio Olintho destacou que há provas suficientes para a submissão do réu ao júri popular, incluindo a confissão do réu, vídeos das agressões e depoimento de testemunhas.
O magistrado também rejeitou a tese da defesa de que a morte teria sido causada por complicações supervenientes durante a internação da vítima. O juiz concluiu que as complicações foram um desdobramento direto, previsível e natural da agressão inicial.
Apesar da pronúncia, o juiz concedeu ao réu o direito de continuar a responder ao processo em liberdade provisória. Essa decisão considerou que Adeilson tem cumprido as medidas cautelares impostas, como o comparecimento periódico em Juízo.
Legado de Paulo Onça
Paulo Onça foi um compositor de destaque, conhecido por misturar samba com ritmos regionais como carimbó e boi-bumbá, abordando temas como a vida ribeirinha e a preservação ambiental. Em seu currículo, o artista contava com parcerias com Zeca Pagodinho e Jorge Aragão, além de sambas-enredo para escolas de samba, como o sucesso “Parintins, A Ilha do Boi-Bumbá – Garantido e Caprichoso” do Salgueiro, de 1998.

