Escândalo de Corrupção

Governo demite diretor do DNIT após PF apontar entrega de propina em dinheiro vivo no escândalo do INSS

O governo Lula exonerou na noite de sexta-feira (9) o diretor de Administração e Finanças do DNIT, Marcos de Brito Campos Júnior, quase um mês depois de ele ter sido alvo da Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de fraudes e propinas no INSS.

A demissão ocorreu no mesmo dia em que o Estadão enviou questionamentos ao DNIT e ao próprio Marcos Brito sobre mensagens apreendidas pela PF que indicam o pagamento de propina em dinheiro vivo a ele quando ocupava a Superintendência do INSS no Nordeste.

As perguntas foram encaminhadas às 10h45 da manhã. Poucas horas depois, às 21h15, o governo publicou uma edição extra do Diário Oficial da União com a exoneração, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB).

Mais cedo, às 17h12, a defesa de Marcos Brito havia informado que ele colocara o cargo “à disposição”, mas a exoneração ainda não havia sido formalizada.

Segundo a Polícia Federal, Marcos de Brito é citado em diálogos de WhatsAppapreendidos no celular de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como líder do esquema.

Em 10 de agosto de 2023, Antunes ordenou a um auxiliar, Rubens Costa, que preparasse uma entrega de R$ 20 mil para Marcos Brito:

“Bom dia. Estou em voo. Preciso de uma gentileza no modo sigiloso. O Marcos de Brito irá pegar com você uma quantia de 20 mil reais.”

Rubens pergunta se o dinheiro estava no cofre. Antunes responde:

“Pegue no cofre e já deixe preparado para dar a discrição que a situação exige.”

Em seguida, reforça:

“Coloque de maneira discreta em um envelope ou recipiente que não deixe transparecer o que é! Evitar o desconforto para ele!”

A PF também encontrou mensagens que indicam pagamentos em dinheiro vivo a um ex-assessor parlamentar do senador Weverton Rocha (PDT-MA), o que ampliou o escopo da investigação.

Com base nessas evidências, em 18 de dezembro, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão contra Marcos Brito e determinou o uso de tornozeleira eletrônica, por ordem do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

Careca do INSS está preso desde setembro, acusado de comandar um esquema de descontos ilegais em aposentadorias e de pagamento sistemático de propinas a servidores públicos.

A cronologia da exoneração chama atenção: Marcos Brito permaneceu no cargo por quase um mês após ser atingido pela operação policial, e só foi demitido no dia em que as mensagens sobre propina vieram a público.