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ESCÂNDALO: Gestão do prefeito Raimundo Santana de Freitas, o Toco Santana, volta a ser alvo de questionamentos após a revelação de mais um contrato milionário firmado pela Prefeitura de Borba

Desta vez, trata-se de um acordo no valor de R$ 28.084.540,58 para aquisição de medicamentos, materiais odontológicos e insumos de saúde.

O contrato foi firmado por “adesão a ata externa”, procedimento que dispensa concorrência ampla, e direcionado à empresa FL Shelf Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de Mercadorias Ltda, conhecida como Grupo Shelf, sediada no bairro Flores, em Manaus.

A revelação reacende críticas sobre o ritmo e o volume de contratações realizadas pela prefeitura — que, desde o início da atual gestão, acumula cifras altíssimas em contratos, especialmente nas áreas de saúde e infraestrutura.

Quem é a empresa contratada?

A Grupo Shelf é uma empresa criada em 2021, com capital social declarado de R$ 1,5 milhão, e cuja atividade principal registrada é “representação comercial”. Apesar disso, aparece assinando contratos milionários para fornecimento de medicamentos, materiais hospitalares e produtos nutricionais em diferentes municípios do Amazonas.

O detalhe que mais chama atenção: empresas com este perfil geralmente atuam como intermediárias e não como distribuidoras com estrutura robusta, logística consolidada e capacidade comprovada para fornecer grandes quantidades de medicamentos — algo que um contrato de R$ 28 milhões exige.

A mesma empresa já havia sido contratada recentemente por outras prefeituras do interior, como Lábrea, também em contratos de valores elevados, o que acende um alerta sobre uma possível “rota de contratos milionários” no estado, sempre envolvendo a mesma fornecedora.


Contratações milionárias: o padrão da gestão Toco Santana

Este não é um caso isolado. A administração de Toco Santana tem acumulado contratos de valores elevados, muitos por dispensa ou adesão à ata, o que reduz a competição e aumenta a necessidade de fiscalização minuciosa.

Além disso, a prefeitura já foi alvo de decisões e sanções de órgãos de controle devido a problemas administrativos, tais como:

Demissões irregulares de mais de 2 mil servidores temporários;

Falta de transparência em processos internos;

Representações no Ministério Público cobrando esclarecimentos sobre execução orçamentária.

O histórico aumenta a pressão sobre a nova contratação milionária — que, novamente, envolve valores muito acima da realidade econômica do município, sem ampla publicidade e sem apresentação clara das justificativas técnicas.


Por que o contrato levanta suspeitas

Especialistas consultados por veículos independentes apontam que:

  1. Valor expressivo demais
    R$ 28 milhões é uma das maiores compras da história recente de Borba — especialmente em uma única contratação.
  2. Porte da empresa incompatível com o tamanho do contrato
    Com apenas R$ 1,5 milhão de capital social, a Grupo Shelf teria que movimentar quase 20 vezes seu próprio patrimônio para atender o município.
  3. Adesão a ata externa
    O uso desse mecanismo, embora legal, costuma ser utilizado para agilizar compras pequenas — não contratos multimilionár
    ios que deveriam ser disputados por grandes distribuidoras especializadas.
  4. Repetição de padrões
    A empresa vem aparecendo em outras cidades em contratos igualmente altos, o que pode indicar um circuito de contratações direcionadas.

População quer respostas — e órgãos de controle devem agir

A denúncia expõe, mais uma vez, a necessidade de completa transparência nos gastos da Prefeitura de Borba. O setor da saúde é vital, mas contratos de tamanha magnitude devem ser acompanhados de:

  • Fiscalização rígida,
  • Publicidade total dos preços e das quantidades,
  • Prova da capacidade operacional da empresa,
  • Apresentação detalhada das justificativas técnicas.

Sem isso, o que deveria ser um investimento em saúde pode se transformar em prejuízo ao erário e risco à população.