Em comunidade do Careiro da Várzea, escola de madeira completa mais de 30 anos sem acessibilidade e estrutura adequada
Durante visita ao Paraná do Parauá, o pré-candidato a deputado estadual Jender Lobato ouviu relatos sobre educação, saúde, abastecimento de água e isolamento que afetam cerca de 180 famílias da comunidade.
Uma escola de madeira que atravessou mais de três décadas praticamente sem mudanças, sem acessibilidade para estudantes com deficiência e com problemas estruturais foi um dos retratos encontrados pelo pré-candidato a deputado estadual Jender Lobato (Agir), durante visita à comunidade Paraná do Parauá, em Careiro da Várzea, neste sábado (1º). A agenda reuniu moradores, lideranças e professores para discutir demandas históricas da região, onde vivem cerca de 180 famílias.
Na Escola Estadual Tibúrcio Alves Mogeiro, construída em madeira e mantida praticamente nas mesmas condições desde 1990, estudam quase 200 alunos distribuídos em oito salas. Apesar de ser uma das seis escolas estaduais do município, o prédio ainda não oferece estrutura mínima de acessibilidade.
“O PCD não tem como estudar aqui. Você já é um aluno que está no Careiro da Várzea e ainda não tem condições mínimas”, afirmou o professor Alan durante a reunião.
A falta de acessibilidade também impacta diretamente a rotina das famílias da comunidade. A moradora Jeicelane Santos contou que o primo, de 9 anos, cadeirante, depende diariamente do esforço da avó para conseguir frequentar a escola.
“Ela precisa levá-lo de rabeta todos os dias. Quando chega, tem que carregá-lo no colo para subir uma escada. Na hora de buscar é tudo de novo. Não existe rampa, nem apoio para ajudá-la. É ela e o marido que fazem tudo sozinhos”, relatou Jeicelane.

Segundo ela, a família também não consegue utilizar o transporte escolar, já que a embarcação não dispõe de estrutura ou equipe para auxiliar o estudante durante o embarque e desembarque.
Segundo o professor, todas as demais escolas do município já são construídas em alvenaria.
Natural de Parintins, Jender destacou que conhece de perto os desafios enfrentados pelas comunidades do interior e afirmou que essa realidade exige maior atenção do poder público, especialmente nas áreas de educação, infraestrutura e qualificação profissional.
Saúde precária
A educação não foi a única preocupação apresentada pelos moradores. Na saúde, os relatos apontam dificuldades que vão desde a ausência de estrutura para urgências até limitações no atendimento médico.
“A minha sogra morreu nos braços do meu marido por causa de uma crise de asma. Chamamos a ambulância, mas ela demorou tanto que ela faleceu. Não se pode ficar doente aqui, é uma sentença”, relatou a dona de casa Cristiane Ribeiro, de 38 anos.
Segundo os moradores, a lancha de pronto-atendimento não dispõe de oxigênio para emergências e o atendimento médico ocorre apenas de segunda a sexta-feira, até o meio-dia.
A precariedade da assistência também afeta as gestantes da comunidade. A própria Cristiane contou que deu à luz os quatro filhos em casa por causa da dificuldade de acesso aos serviços de saúde.
Água imprópria para consumo
Outra reivindicação recorrente diz respeito ao abastecimento de água.
“A água aqui não é própria para beber. Em dois dias na caixa já tem cheiro ruim e lodo”, afirmou o comunitário Jair Alves.
Segundo os moradores, a perfuração de poços não resolve o problema, porque a água subterrânea também apresenta baixa qualidade.
O isolamento da comunidade também apareceu entre as principais reclamações. Durante a estiagem, o rio seca completamente em alguns trechos, obrigando moradores a percorrer longas distâncias por áreas de areia até conseguir transporte para Manaus. A estrada torna-se a única alternativa quando recebe manutenção.
A erosão e o assoreamento também mudaram a realidade econômica da comunidade.
“Havia o cultivo de melancia e até a Festa da Melancia. O assoreamento e a erosão acabaram com isso”, lembrou Jair Alves.
Falta de oportunidades
Apesar das dificuldades, os moradores ressaltam o potencial da comunidade. Além de jovens atletas que chegaram ao Amazonas FC, lideranças afirmam que faltam oportunidades para que os moradores permaneçam na região.
A ausência de cursos profissionalizantes foi uma das principais reivindicações apresentadas durante a reunião. Segundo os comunitários, muitos jovens e mulheres deixam de se qualificar porque precisam se deslocar até a sede do município, o que torna o acesso inviável para boa parte da população.
Durante a visita, Jender defendeu a ampliação da oferta de cursos do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) nas próprias comunidades ribeirinhas, para ampliar as oportunidades de emprego e geração de renda no interior.
“O interior tem talento, tem capacidade e tem vontade de crescer. O que falta é o Estado chegar até essas pessoas. Quando levamos qualificação para dentro das comunidades, criamos oportunidades para os jovens permanecerem onde nasceram e ajudamos as mulheres a conquistarem independência financeira”, afirmou.
Ao final da reunião, o pré-candidato destacou que as demandas serão sistematizadas para encaminhamento aos órgãos competentes e reforçou a necessidade de ampliar a presença do Estado nas comunidades do interior.

