Polícia

Dívida de R$ 19 mil com agiotas motivou ataque que deixou três mortos em Manaus

O suspeito, identificado como Zenilson, confessou o crime e foi preso menos de 12 horas após o ataque.

Uma dívida de R$ 19 mil com agiotas foi apontada pela Polícia Civil como a motivação para o ataque que deixou três pessoas mortas e uma gravemente ferida na manhã de segunda-feira (17), no bairro São Geraldo, na Zona Centro-Sul de Manaus. O suspeito, identificado como Zenilson, confessou o crime e foi preso menos de 12 horas após o ataque. A informação foi confirmada pelo delegado Ricardo Cunha, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), durante coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (18).

Segundo o delegado, o suspeito chegou à residência por volta das 5h30, em uma motocicleta, pulou o muro e permaneceu dentro do imóvel por aproximadamente duas horas. Ele deixou o local por volta das 7h, levando objetos das vítimas. Durante a investigação, a polícia analisou imagens de câmeras de segurança, ouviu testemunhas e cruzou as características físicas, roupas, motocicleta e uma bolsa transversal registradas nas imagens com as informações obtidas sobre o suspeito.

Ricardo Cunha afirmou que as investigações descartaram as primeiras hipóteses levantadas sobre o caso, incluindo a possibilidade de ritual ou envolvimento de facção criminosa. Conforme o delegado, as evidências apontaram para a atuação de um único homem. Após ser localizado e confrontado com as informações reunidas pela polícia, Zenilson confessou o crime e acompanhou os investigadores de volta à residência, onde detalhou a dinâmica do ataque.

De acordo com o relato apresentado pelo suspeito à polícia, ele foi até o imóvel para pedir dinheiro a Francisco das Chagas Morais Santos, de 66 anos, seu ex-sogro, que costumava ajudá-lo financeiramente. Zenilson teria uma dívida de R$ 19 mil com agiotas e estaria sendo ameaçado. Segundo o delegado, durante a conversa, Francisco negou o pedido e os dois iniciaram uma discussão. O suspeito, que já carregava um martelo, atacou o ex-sogro. Ao ouvir os gritos, Isabella Coelho Morais, de 29 anos, filha de Francisco, tentou intervir e também foi golpeada. O professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Guilherme Pereira Filho, de 66 anos, que morava no andar inferior, entrou em luta corporal com o suspeito e acabou morto. Em seguida, Dilma Cilene Sampaio, que estava no térreo, subiu para verificar o que havia acontecido e também foi atacada.

Após os assassinatos, Zenilson permaneceu na casa em busca de dinheiro. Segundo a polícia, ele levou um cofre com aproximadamente R$ 900 e três aparelhos celulares antes de fugir. Um dos celulares foi recuperado. Os outros dois aparelhos e o martelo utilizado no crime foram descartados em um córrego próximo ao local. A versão apresentada pelo suspeito confirma a informação repassada anteriormente por familiares de que ele teria procurado Francisco para pedir dinheiro por causa de dívidas com agiotas.

Dilma Cilene foi encontrada gravemente ferida e permanece hospitalizada no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, na Zona Leste de Manaus, onde aguarda procedimento cirúrgico. O caso foi classificado pela polícia como três latrocínios consumados e uma tentativa de latrocínio. Segundo Ricardo Cunha, a ação integrada entre a Polícia Civil e a Polícia Militar permitiu a identificação e prisão do suspeito em menos de 12 horas. “Em menos de 12 horas, conseguimos elucidar este crime bárbaro, retirar o autor de circulação e oferecer uma resposta imediata à sociedade”, afirmou o delegado.