Defesa do Banco Master denuncia “vazamento recorde” e processa jornalista Malu Gaspar por exposição de informações
A crise que envolve o Banco Master ganhou um novo e tenso capítulo nesta semana. O advogado criminalista Roberto Podval, que representa a instituição, acusou publicamente uma “quebra sistemática de sigilo” em processos que tramitam sob segredo de Justiça e anunciou medidas formais contra os responsáveis. Segundo ele, o episódio mais grave ocorreu após uma audiência recente, cujos detalhes vieram a público em tempo recorde.
“O sigilo era absoluto. Não se passaram 20 minutos e as informações já estavam divulgadas. Isso compromete o processo, viola garantias e alimenta um julgamento paralelo pela imprensa”, afirmou Podval, em tom de indignação.
A defesa afirma que a divulgação recorrente de documentos e trechos de depoimentos — ainda sob sigilo — está afetando diretamente o direito à ampla defesa e o devido processo legal. Diante do que classifica como uma escalada de “vazamentos seletivos”, a equipe jurídica do banco já protocolou pedidos de apuração formal junto às autoridades e pretende registrar cada novo episódio nos autos do processo.
Além disso, foi solicitada a abertura de inquérito para investigar a origem dos vazamentos, e novas medidas judiciais estão sendo preparadas. O objetivo da defesa é claro: estancar a exposição ilegal e blindar o processo de influências externas.
O principal alvo da reação jurídica é a jornalista Malu Gaspar, colunista do O Globo e âncora da GloboNews. Suas reportagens têm revelado bastidores da investigação sobre o Banco Master, frequentemente com informações que, segundo a defesa, deveriam estar restritas às partes envolvidas.
Roberto Podval confirmou que ingressou com ação judicial contra a jornalista, alegando que suas publicações estão fundamentadas em material sigiloso vazado indevidamente. A acusação inclui violação do segredo de Justiça e uso indevido de documentos internos.
“Não se trata de censura, mas de respeito ao Estado de Direito. A imprensa tem seu papel, mas não pode atropelar garantias legais para criar narrativas pré-julgadoras em cima de dados que sequer deveriam estar acessíveis”, declarou o advogado.
Até a publicação desta matéria, Malu Gaspar e o Grupo Globo não haviam se pronunciado sobre a ação movida por Podval. A jornalista é conhecida por defender a liberdade de imprensa, o interesse público e o sigilo constitucional das fontes — um direito assegurado pelo artigo 5º da Constituição Federal.
A liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, expôs uma rede de operações financeiras consideradas de altíssimo risco. Desde então, o caso tem mobilizado autoridades como o Tribunal de Contas da União (TCU), o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Ministério Público Federal (MPF).
Agora, além das disputas técnicas sobre a fiscalização bancária, o caso se transforma também em um debate jurídico sobre os limites entre liberdade de imprensa e respeito ao segredo judicial.
Com a judicialização dos vazamentos, a defesa do Banco Master busca não apenas proteger o andamento do processo, mas também reforçar que a responsabilização por quebras de sigilo não pode ser relativizada — mesmo diante do interesse da opinião pública.

