ÂMBAR ENERGIA

Com rios secando, ÂMBAR aposta em logística antecipada e usinas no interior para garantir luz no Amazonas

Com 1.350 toneladas de equipamentos enviados por balsa para 61 municípios e termelétricas instaladas perto do consumo, concessionária tenta evitar colapso no período crítico dos rios

No Amazonas, garantir energia elétrica é, antes de tudo, um desafio de logística. O Estado tem 1,5 milhão de km², dezenas de cidades que só se chega de barco e rios que podem ficar quase intransitáveis na vazante. Postes, cabos, transformadores e combustível precisam ser transportados com meses de antecedência. Foi por isso que a Âmbar Energia, que assumiu a distribuição em abril de 2026, criou a Operação Vazante.

Iniciada em maio, antes do auge da seca, a operação já mobilizou 1.350 toneladas de materiais para o interior, atendendo as nove calhas de rios e 61 municípios. Segundo a empresa, foram mais de 15 viagens de balsas e ferry boats, com saída de Manaus no dia 30 de maio para as calhas do Juruá e Japurá. Equipes monitoram diariamente o nível dos rios para mudar rotas quando os portos secam.

A outra frente é produzir energia mais perto de onde ela é usada. Muitos municípios ainda estão em sistemas isolados, fora do Sistema Interligado Nacional, e dependem de térmicas locais. A interligação de Parintins em 2023 mostrou o caminho ao permitir desligar a usina a diesel. Onde isso ainda não é possível, a Âmbar tem instalado geração de apoio.

Em Manacapuru, por exemplo, foi instalada uma termelétrica de 5 MW para segurar o horário de pico, entre 18h e 23h, quando o risco de queda era maior. A mesma lógica vale para ativos comprados da Eletrobras em 2024 em Anamã, Anori, Caapiranga e Codajás, além de projetos híbridos com solar e baterias para 23 comunidades isoladas.

O plano da concessionária prevê R$ 5,5 bilhões até 2031, com R$ 3,9 bilhões de recursos próprios, para expansão de rede, subestações, Luz para Todos e modernização de equipamentos. Em Humaitá, onde há acompanhamento da Defensoria, a previsão é trocar 39 postes, 262 cruzetas e reforçar 34 km de rede.

A aposta agora é na Energia 4.0: medidores inteligentes, sensores e automação para achar a falha antes de mandar a equipe – essencial num território onde o deslocamento demora. A tecnologia também deve ajudar a combater as perdas, hoje estimadas pela empresa em 44% da energia injetada e não faturada por ligações irregulares.