Carta ao STF teme sequestro de Marcola e Beira-Mar pelos EUA
Autor, identificado como Oséas de Campos, pediu que traficantes sejam transferidos de unidade prisional
Um pastor pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) um habeas corpus em favor de Marcos Willians Camacho, o Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), e Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho (CV). A petição foi encaminhada via carta manuscrita ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, datada de 2 de junho de 2026
No pedido, o autor, identificado como pastor Oséas de Campos, afirma temer que os dois presos sejam sequestrados pela CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos, após o governo norte-americano classificar o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras. O anúncio da classificação tinha ocorrido dias antes, em 29 de maio, e a medida entrou oficialmente em vigor em 5 de junho.
Oséas pedia que Marcola e Beira-Mar fossem transferidos para um local cuja localização fosse conhecida apenas pela Justiça, pelo Ministério Público e pelos familiares. Segundo ele, a medida teria como objetivo impedir uma eventual retirada dos dois do sistema penitenciário brasileiro.
Na petição, o pastor afirmava ainda que um eventual sequestro poderia provocar uma reação coordenada de integrantes da população carcerária brasileira. Ele utilizou a expressão “salve geral” para descrever a possibilidade de ataques criminosos em diferentes cidades e estados.
O documento citou os ataques atribuídos ao PCC em São Paulo em 2006 e afirmou que um novo episódio poderia provocar uma onda de violência. Na carta, Oséas mencionou números de mortos, feridos e de ônibus incendiados durante os acontecimentos daquele ano e relacionou o cenário atual ao crescimento da população prisional brasileira.
FACHIN REJEITOU PEDIDO
O pedido foi analisado por Fachin, que, em decisão de 22 de junho, negou seguimento ao habeas corpus. O ministro entendeu que a petição não apontava um ato concreto atribuído a uma autoridade que pudesse ser analisado diretamente pelo STF e que o caso não se enquadrava nas hipóteses que permitiriam à Corte examinar a questão.
Fachin também determinou o encaminhamento da petição à Defensoria Pública de São Paulo, para que o órgão avaliasse eventuais providências.
HABEAS CORPUS EM 2006
Oséas de Campos é conhecido por ter recorrido ao STF no início dos anos 2000 com um habeas corpus que levou a Corte a analisar a constitucionalidade da proibição de progressão de regime para condenados por crimes hediondos. No julgamento, finalizado em fevereiro de 2006, os ministro decidiram, por seis votos a cinco, considerar inconstitucional a vedação.

