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Hamilton Bandeira, presidente da Mocidade Independente de Aparecida, tem morte cerebral em Manaus

Bandeira estava internado em um hospital particular da capital desde o último sábado (26), após sofrer um infarto. Família decide doar órgãos

Luto no Carnaval de Manaus. O presidente da Escola de Samba Mocidade Independente (Gresmi) de Aparecida , Hamilton Bandeira, 59 anos, teve a morte cerebral decretada no início da tarde desta quinta-feira (31). Bandeira estava internado em um hospital particular da capital, no bairro Centro, zona Sul,  desde o último sábado (26), após sofrer um infarto na casa onde morava, situada no bairro de Aparecida, zona Sul da capital. 

A família de Hamilton decidiu doar os órgãos. O corpo segue na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital ligado a aparelhos, onde aguarda os profissionais da Central Estadual de Transplantes, da Secretaria Estadual de Saúde (SES-AM), para avaliação e remoção dos órgãos que serão doados. O velório será realizado no Palácio Rio Negro, situado na avenida Sete de Setembro, bairro Centro, zona Sul da cidade. O sepultamento será realizado no Cemitério São João Batista, no bairro Nossa Senhora das Graças. Os horários ainda serão divulgados.

Bandeira foi eleito presidente da GRESMI Aparecida este ano e deixa um filho. O pai dele, César Bandeira, faleceu em 2005 de infarto aos 68 anos, e foi o primeiro presidente da escola de samba. Hamilton também esteve à frente na gestão da agremiação em 2002 e 2003, ano em que sagrou se campeão com o enredo “Porto: Roadway de Manaus, 100 anos de História, 333 anos de vida”. Em maio deste ano, sob a gestão de Hamilton, a agremiação anunciou o enredo “Do Velho ao Novo, Para sempre Airão: Santuário de Riquezas, a Maravilha Verde no Coração da Amazônia” para o carnaval 2026. 

Luto

O jornalista Saulo Borges, carnavalesco da Gresmi de Aparecida, considerava Hamilton um irmão. “Os 25 carnavais que eu fiz, foi com a permissão de Hamilton. Com a análise dele em uma época que não tinha whatsapp, mandava os escritos por e-mail. Ele lia e mandava com as observações”, disse. “Ele sempre me dizia o seguinte: é melhor fazer um feijão com arroz bem feito”, relembrou. 

Saulo falou com Bandeira no último sábado (26) por telefone horas antes do ataque cardíaco. “Ele me ligou era 9h03. Era comum ele me ligar quatro ou cinco vezes por dia. Em um momento a ligação caiu. Ele retornou 40 minutos depois e disse que ‘sentiu um engasgo como se tivesse um entalo’”, disse. “A gente acaba ficando um pouco sem chão”, lamentou. 

O senador Omar Aziz (PSD), por meio das redes sociais, lamentou a morte do amigo. “Difícil, nesse momento, resumir em palavras 45 anos de amizade. São inúmeros momentos de alegria e luta pelo bairro e pela escola de samba do nosso coração, e que agora se tornaram saudades. Mas serão saudades que virão sempre acompanhadas de trilha sonora – um bom samba e dos melhores enredos da nossa ‘pareca’”, escreveu o parlamentar em uma rede social. 

Escolas de samba de Manaus também lamentaram a partida de Hamilton, como o Grêmio Recreativo Escola de Samba (GRES), Vitória Régia, Sem Compromisso, Vila da Barra e o Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba (GRCES) A Grande Familia. A página oficial do Grupo de Acesso Oficial de Cultura Popular (GAO) também emitiu pesar por Hamilton. “Hoje nos despedimos de um pilar do nosso carnaval: Hamilton Bandeira, presidente da Mocidade Independente de Aparecida, partiu deixando um legado de amor à cultura e luta incansável pelo samba”.