Mutirão eleitoreiro sem planejamento pode apenas maquiar filas da saúde, alerta Dra. Shádia, vice de David Almeida
Ações pontuais em mutirões podem até reduzir temporariamente as filas da saúde, mas não resolvem o problema quando não há planejamento para atender a demanda que continua chegando. O alerta é da candidata a vice-governadora do Amazonas na chapa de David Almeida, Dra. Shádia (Avante), que defende os mutirões como estratégia emergencial, mas critica quando a medida é usada de forma isolada ou com finalidade eleitoreira.
“Eu não sou contra os mutirões. Os mutirões são extremamente importantes e essa é uma estratégia que nós vamos utilizar. Eu sou contra mutirões sem planejamento”, afirmou.
Segundo a ex-secretária municipal de saúde, o risco está em tratar apenas uma etapa do atendimento. Um paciente pode conseguir uma consulta durante o mutirão, receber um diagnóstico e, a partir daí, precisar de exames ou cirurgia. Sem estrutura para dar continuidade ao tratamento, ele volta para a fila.
“Essas pessoas que estão sendo atendidas nos mutirões vão voltar para a fila. Se eu sou atendida pelo médico que está no mutirão, ele pode me passar um exame, pode diagnosticar uma hérnia e eu vou precisar operar. Então é preciso ver isso”, explicou.
Médica do Sistema Único de Saúde (SUS) há 17 anos, Dra. Shádia questionou ainda a capacidade de ações pontuais de enfrentar demandas que se acumularam durante anos. “Se em oito anos não operou e eu tenho uma fila de três mil, cinco mil pessoas, eu vou operar em quatro meses? Então essas pessoas vão voltar para a fila”, afirmou.

