Ferreira Pena ganha obras da primeira ‘Rua Gastronômica’ com apoio de empreendedores a projeto da Prefeitura de Manaus
Com a instalação dos tapumes e o início do canteiro de obras, a rua Ferreira Pena começou, na quarta-feira, 26/8, uma nova etapa de sua história. A via que nos últimos anos voltou a ganhar movimento com bares, restaurantes, eventos e novos negócios começa a ser transformada pela Prefeitura de Manaus em um espaço pensado para permanecer, caminhar, comer, conversar e viver a cidade.
A intervenção, entre as ruas 10 de Julho e Ramos Ferreira, dará origem à primeira “Rua Gastronômica” de Manaus, com previsão de entrega em novembro. Mais do que recuperar uma via desgastada naturalmente pelo tempo, o projeto acompanha uma transformação que já vinha acontecendo de forma espontânea: empreendedores voltaram a apostar no Centro, casarões começaram a ser recuperados e a Ferreira Pena passou a pulsar especialmente no período noturno.
É justamente essa história recente que ajuda a explicar o apoio dos empresários ao projeto. Para eles, a obra pública chega como uma parceria capaz de organizar, qualificar e ampliar um movimento que começou na própria iniciativa privada.
“Para nós, empresários e empreendedores aqui da Ferreira Pena, esse projeto representa o reconhecimento de um movimento construído coletivamente. Lá em 2024, sentamos, pela primeira vez, para dialogar sobre as possibilidades para essa rua. Com a chegada do Sarará e o movimento que passamos a gerar, outros empreendedores chegaram, novos negócios abriram e a Ferreira Pena foi sendo ocupada pelas pessoas”, afirmou a sócia do bar Sarará, Fabíola Kimura.
Segundo ela, o crescimento dos negócios precisa ser acompanhado por um espaço preparado para receber esse novo público. “Todo grande movimento precisa também de ordenamento público para crescer com qualidade, segurança e organização. Ficamos felizes que a Prefeitura de Manaus tenha compreendido que investir na Ferreira Pena é muito mais que revitalizar uma via. É reconhecer a cultura como um potente agente de transformação social e econômica, capaz de movimentar uma cadeia inteira de trabalhadores, empreendedores e artistas. O centro de Manaus não precisa apenas ser lembrado pela sua história, ele precisa estar vivo. E a Ferreira Pena já pulsa aqui. Agora, esse investimento chega para fortalecer e qualificar o que vem sendo construído”, ressaltou.
A rua como lugar de ficar
A proposta parte de uma mudança simples, mas profunda: tirar o espaço público da lógica exclusiva de circulação e devolvê-lo também à convivência. O projeto prevê aproximadamente 190 metros de intervenção e 3.800 metros quadrados de área transformada, com plataforma única, novas calçadas, piso intertravado, pedra quartzito natural antiderrapante, acessibilidade, mobiliário urbano, paisagismo e iluminação cênica. As 17 árvores existentes serão preservadas, contribuindo para o conforto térmico e a qualidade ambiental do novo boulevard.
Ao final da obra, a Ferreira Pena será fechada permanentemente ao tráfego de veículos e funcionará como boulevard para pedestres, com áreas de circulação, convivência e instalação de mesas e cadeiras de bares e restaurantes.
Para a empresária Verenna Valério, da casa Coyote Loco, a transformação representa a possibilidade de recuperar também uma experiência que faz parte da identidade da rua. “Representa ordenamento local, recomeço e esperança de que essa região irá trazer de volta nossos clientes boêmios, que apreciam tomar uma cerveja gelada no fim de tarde, acompanhados de sua família, com segurança e tranquilidade”, ressaltou.
A ideia de criar espaços urbanos em que as pessoas possam permanecer, e não apenas passar, já faz parte de experiências recentes em grandes cidades.
“É uma tendência urbana. Cidades grandes precisam criar lugares confortáveis para as pessoas caminharem, encontrarem outras pessoas, consumirem, descansarem e experimentarem a própria cidade. Manaus, com mais de 2 milhões de habitantes, também precisa se permitir esse movimento. A Ferreira Pena pode ser um desses pequenos espaços capazes de provocar uma mudança maior na relação da população com o Centro”, comentou o diretor-presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Antonio Peixoto. O órgão assina o projeto arquitetônico e urbanístico.
Quem empreende também aposta
O apoio dos empreendedores reforça o caráter de construção conjunta da nova Ferreira Pena. O presidente da Associação dos Empresários do Amazonas (Asseam) e empresário da região, Gerson Sampaio, considera o início das obras um marco para o Centro.
“É um dia importante para Manaus e para todos que acreditam no potencial do Centro. A Ferreira Pena inicia uma nova etapa com as obras da ‘Rua Gastronômica’. Essa obra representa valorização, desenvolvimento, novas oportunidades e a retomada do protagonismo do centro de Manaus, do polo de gastronomia e convivência”, afirmou.
A visão também é compartilhada pelo setor de alimentação. Para Franco Andrade, diretor da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Amazonas (Abrasel-AM), a iniciativa amplia as oportunidades para um segmento diretamente ligado à identidade cultural e turística da cidade.
“Quem ganha com isso é a cidade. Valoriza a cultura gastronômica da nossa região e é o momento de fortalecer isso. É mais um aparelho público que a gente consegue vislumbrar como oportunidade para o setor de alimentação. Manaus concorre novamente ao selo de Cidade Criativa da Gastronomia, e isso acaba fortalecendo essa nossa candidatura, que é um selo internacional e valoriza não só a cultura gastronômica, mas também o turismo e a geração de renda e emprego da nossa cidade”, disse.
Nosso Centro
A proposta integra o programa “Nosso Centro” e foi aprovada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), justamente por estar inserida no Centro Histórico de Manaus.
Enquanto a obra avança, moradores e comerciantes continuarão tendo acesso local aos imóveis pela rua Monsenhor Coutinho. Para os demais motoristas, a orientação é programar os deslocamentos e seguir as orientações do IMMU, que realiza ajustes no trânsito para reduzir os impactos da interdição.
Em Manaus, a aposta é que uma rua histórica, abraçada por empresários, artistas, moradores e frequentadores, possa se tornar também um laboratório de uma cidade mais caminhável, mais confortável e mais viva. Porque uma capital que já ultrapassou a marca de 2 milhões de habitantes precisa, cada vez mais, sair da zona de conforto, inclusive quando o assunto é imaginar como as pessoas querem ocupar a cidade.
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Texto – Cláudia do Valle/ Implurb
Fotos – João Viana/ Semcom

