Judiciário

Toffoli prorroga por 60 dias investigação da PF no caso Banco Master

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou nesta sexta-feira (16) por mais 60 dias o prazo para a Polícia Federal concluir as investigações no caso do Banco Master, alvo da Operação Compliance Zero.

A decisão atende a um pedido da autoridade policial, que alegou necessidade de mais tempo para concluir diligências, analisar documentos e realizar os depoimentos dos investigados.

Considero que as razões apontadas para a prorrogação devem ser deferidas”, escreveu Toffoli no despacho.

Ainda nesta sexta, o ministro reduziu de cinco para dois dias o prazo para que a PF colha os depoimentos dos alvos da operação. A decisão acontece após uma série de movimentações contraditórias do próprio Toffoli, que modificou ao menos três vezes, em apenas 24 horas, os rumos do inquérito, incluindo o acesso e a guarda do material apreendido na segunda fase da operação.

As sucessivas mudanças geraram incômodo nos bastidores da Polícia Federal e levantaram questionamentos sobre interferência processual, já que o ministro tem sido apontado em reportagens como politicamente sensível ao núcleo empresarial envolvido nas fraudes investigadas.

A investigação apura um esquema de emissão fraudulenta de até R$ 12 bilhões em créditos fictícios, que teriam sido vendidos para instituições financeiras como o BRB (Banco de Brasília). Em março de 2025, o BRB chegou a anunciar a intenção de comprar o Master por R$ 2 bilhões, mas o Banco Central vetou a negociação após identificar graves irregularidades.

O controlador do Master, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso em novembro ao tentar embarcar para Dubai. Ele foi solto dias depois e permanece em prisão domiciliar. Na segunda fase da Operação Compliance Zero, realizada nesta semana, foram alvos familiares diretos de Vorcaro, incluindo o pai, a irmã e o cunhado Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro do grupo.

Dias Toffoli assumiu a relatoria do caso no STF em dezembro de 2025, após aceitar um pedido da defesa de Vorcaro para retirar a investigação da Justiça Federal e levá-la à Corte Suprema. Desde então, o ministro tem adotado decisões que geraram forte repercussão — entre elas, o sigilo absoluto sobre o processo, impedindo acesso até mesmo às iniciais das partes.

Reportagens também revelaram que empresas ligadas a familiares de Toffolireceberam investimentos milionários por meio de fundos associados ao Banco Master, o que aumenta a pressão por seu afastamento do caso.

Apesar das crescentes suspeitas de conflito de interesse, Toffoli segue à frente do inquérito, agora prorrogado até abril.