Polícia Federal aponta indícios de vínculo indireto entre Lulinha e operador do esquema do INSS
A Polícia Federal comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga a existência de um possível vínculo indireto entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A informação foi revelada nesta quarta-feira (7) pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo a corporação, o nome de Lulinha aparece em materiais reunidos no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos associativos indevidos em aposentadorias e benefícios previdenciários. As referências constam em depoimentos, diálogos interceptados e registros de viagens analisados pelos investigadores.
Em manifestação enviada ao STF, a Polícia Federal afirmou que, até o momento, não há indícios de envolvimento direto de Lulinha nas condutas investigadas. Os investigadores ressaltaram que declarações sobre suposta proximidade política são recorrentes em esquemas desse tipo, muitas vezes utilizadas para obtenção de vantagens indevidas, o que exige análise criteriosa para evitar conclusões precipitadas.
Ao Estadão, a defesa do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que ele jamais manteve qualquer relação com o INSS e classificou as menções como meras ilações. O advogado Marco Aurélio de Carvalho disse que Lulinha está “absolutamente tranquilo” e acostumado a esse tipo de insinuação, negando qualquer ligação direta ou indireta com o órgão.
Apesar da ausência de provas conclusivas, a Polícia Federal avalia a hipótese de que Lulinha pudesse atuar como um eventual “sócio oculto” do Careca do INSS por meio da empresária Roberta Luchsinger. Segundo o relatório, ela teria recebido R$ 1,5 milhão do empresário em um contrato de consultoria e funcionaria como possível elo entre ambos.
A defesa de Roberta afirmou ao Estadão que os negócios não prosperaram e que nenhum contrato público foi celebrado. Ainda assim, a PF analisa passagens aéreas emitidas sob o mesmo localizador para Lulinha e Roberta, incluindo viagens entre São Paulo e Brasília em 2025 e um deslocamento a Lisboa, em 2024. Até o momento, a corporação não identificou quem custeou os bilhetes.
O relatório também menciona diálogos interceptados nos quais o Careca do INSS faz referência a pagamentos mensais de R$ 300 mil à empresa de Roberta, citando o “filho do rapaz” — interpretação que os investigadores consideram uma possível alusão ao presidente da República. Para a PF, as conversas indicam cautela dos envolvidos quanto à associação do nome de Lulinha aos negócios investigados.
Preso desde setembro do ano passado, Antônio Camilo Antunes é apontado como um dos líderes do esquema de fraudes no INSS

