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Dor e inchaço nas pernas podem ser sinal de lipedema

Embora sejam comuns, sintomas como dor, inchaço, sensação de peso nas pernas e dificuldade para emagrecer nem sempre têm origem apenas na obesidade ou na retenção de líquidos. Em muitos casos, essas manifestações podem estar associadas a alterações vasculares, metabólicas, neuronais e hormonais que, quando investigadas de forma integrada, permitem o diagnóstico de doenças como o lipedema. O diagnóstico correto favorece um tratamento mais eficaz.

Segundo o cirurgião vascular e angiologista Dr. Marco Bittencourt, a dor nos membros inferiores é uma das queixas mais frequentes entre as mulheres. Apesar disso, muitas pacientes demoram meses ou até anos para buscar atendimento, retardando o diagnóstico da doença, que vai além do desconforto físico.

"Dor não valorizada, inchaço e sensação de peso podem estar por trás de uma doença mais grave. A obesidade é multifatorial, muitas vezes relacionada com os hormônios femininos, alterações intestinais (disbiose) e níveis de estresse. A obesidade vai muito além da estética", alerta.

De acordo com o médico, as causas da dor nas pernas são diversas. A dor pode ser decorrente do excesso de peso, que pode provocar sobrecarga em articulações, ossos e músculos. Alterações venosas, doenças reumatológicas, como a fibromialgia, problemas neurológicos, como hérnia de disco lombossacra e distúrbios metabólicos, como o diabetes mellitus, também podem desencadear dor, alterações de sensibilidade e limitações funcionais.

"Em qualquer doença, o diagnóstico precoce faz toda a diferença. Pessoas que apresentam dor aguda ou inchaço de início súbito devem procurar avaliação especializada o quanto antes", orienta.

Lipedema ainda é pouco reconhecido e confundido com celulite ou obesidade

Entre as doenças que podem estar por trás desses sintomas citados acima está o lipedema, uma condição inflamatória crônica, progressiva e de origem genética que acomete predominantemente mulheres. Segundo o Dr. Marco Bittencourt, os principais sinais são dor, sensação de peso nas pernas, sensibilidade aumentada ao toque (alodinia), inchaço ou sensação constante de inchaço nos membros inferiores. Observa-se frequentemente a presença de varizes e telangiectasias.

Segundo reportagem publicada pelo g1, o lipedema afeta entre 10% e 18% das mulheres em todo o mundo. No Brasil, estima-se que ao menos 9 milhões convivam com a doença.

O especialista explica que a enfermidade ainda é subdiagnosticada porque, em seus estágios iniciais, os sintomas costumam ser confundidos com cansaço, retenção de líquidos ou excesso de peso. Como consequência, muitas mulheres convivem com a doença durante anos antes de receberem o diagnóstico correto.

"Não é possível compreender ou tratar o lipedema sem considerar o equilíbrio hormonal, os distúrbios metabólicos e as alterações vasculares. A doença não pode ser encarada apenas como um acúmulo localizado de gordura ou uma obesidade localizada. Trata-se de uma condição muito mais complexa", detalha.

Embora ainda não exista cura, o especialista destaca que o diagnóstico precoce permite controlar a evolução da doença e reduzir significativamente os sintomas.

Diagnóstico exige avaliação ampla

Segundo o cirurgião vascular, um dos maiores desafios é justamente identificar o lipedema em suas fases iniciais. "No grau 1, ainda não existem alterações importantes na pele ou no tecido gorduroso. Nessa fase, o diagnóstico depende essencialmente da avaliação clínica, do exame físico e da história da paciente", especifica.

Os primeiros sinais costumam ser discretos, como dor, sensação de peso, fadiga e leve inchaço nas pernas, sendo frequentemente atribuídos ao sedentarismo ou à obesidade. "Muitas pacientes escutam que o problema é apenas falta de atividade física, quando o cenário é muito mais complexo", pontua.

Além do acúmulo desproporcional de gordura, é comum a presença de varizes, telangiectasias e equimoses, pequenos hematomas que surgem com facilidade. Para o médico, compreender o papel dos hormônios, dos distúrbios metabólicos, da saúde intestinal e do histórico familiar é fundamental. Sem essa visão integrada, o diagnóstico pode ser confundido com obesidade localizada, celulite ou insuficiência venosa.

Tratamento vai além da estética

O Dr. Marco Bittencourt ressalta que tratar apenas um dos fatores envolvidos no lipedema reduz significativamente as chances de sucesso. Segundo ele, uma abordagem integrada, voltada aos fatores desencadeantes e agravantes da doença, permite controlar sua evolução, aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Além dos impactos físicos, o especialista destaca as consequências emocionais. Dor crônica, limitações funcionais e alterações corporais podem favorecer quadros de ansiedade, depressão e baixa autoestima. "Se esses fatores não forem investigados e tratados de forma conjunta, dificilmente conseguiremos proporcionar uma melhora consistente da qualidade de vida das pacientes", acentua.

Medicina personalizada amplia precisão

Para o cirurgião vascular, os avanços da medicina personalizada têm transformado o diagnóstico e o tratamento de doenças como o lipedema. Exames como a densitometria corporal total (DEXA), considerada padrão ouro para avaliar a composição corporal, além de testes genéticos e exames voltados à investigação metabólica e da microbiota intestinal, permitem uma avaliação mais precisa de cada paciente.

Os avanços também chegaram às terapias. O especialista cita medicamentos para o tratamento da obesidade, como a tirzepatida, técnicas cirúrgicas mais modernas para o lipedema e procedimentos minimamente invasivos para varizes, como a escleroterapia com espuma densa.

"Hoje dispomos de ferramentas que, quando utilizadas de forma individualizada, permitem reduzir o sofrimento das pacientes, controlar doenças inflamatórias crônicas, tratar a obesidade e retardar ou impedir a progressão do lipedema", conclui Dr. Marco Bittencourt.

Para saber mais sobre os procedimentos do Dr. Marco Bittencourt, basta acessar: https://drmarcobittencourt.com.br/