Censo da OAB revela insegurança de jovens advogados
O início da carreira na advocacia tem reunido desafios que vão além da aprovação no Exame de Ordem, aponta o Censo Fala Jovem Advocacia, divulgado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em 2026. O levantamento ouviu 9.102 profissionais com até cinco anos de inscrição, de todos os estados brasileiros, e identificou a insegurança técnica e a prática processual entre as principais dificuldades enfrentadas por quem está começando na profissão.
Segundo os dados divulgados pela entidade, 3.279 participantes, equivalentes a 36% do total, citaram a falta de clientes como maior obstáculo. Outros 2.506 mencionaram insegurança técnica e prática processual, 1.547 apontaram os altos custos para manter um escritório e 1.299 relataram a falta de mentoria de profissionais mais experientes. O censo também mostra que 39% dos entrevistados tinham menos de um ano de inscrição na OAB, dado que evidencia uma fase bastante inicial da trajetória entre os participantes.
Passar no exame e obter a inscrição profissional não garante, por si só, que o jovem advogado se sinta preparado para todas as situações do cotidiano da advocacia. Nesse cenário, a correspondência jurídica tem sido apontada como um caminho para o desenvolvimento gradual de experiência, permitindo que o profissional avance por etapas até assumir demandas de maior complexidade.
Entre conhecimento e prática
Para Priscila Pinheiro, advogada e CEO do Correspondente Dinâmico, existe diferença entre dominar o conteúdo jurídico e vivenciar a rotina da profissão. "A formação acadêmica e a aprovação na OAB oferecem uma base técnica fundamental, mas existem habilidades que se desenvolvem principalmente com a vivência profissional. Cumprir uma diligência, lidar com prazos, entender a dinâmica de fóruns e cartórios, comunicar-se com contratantes e resolver imprevistos são experiências que ajudam o jovem advogado a transformar conhecimento em segurança para atuar", avalia.
A correspondência jurídica, na sua percepção, pode contribuir justamente nesse processo gradual. Por meio do Correspondente Dinâmico, o profissional tem contato com demandas reais e pode começar por atividades compatíveis com sua experiência. "Conforme executa novos serviços, passa a conhecer melhor a rotina do mercado, desenvolve habilidades práticas e pode avançar para demandas mais complexas. É uma construção progressiva de experiência, confiança e reputação profissional", completa.
A executiva observa ainda que a formação teórica e a avaliação da OAB não reproduzem todas as situações do dia a dia profissional. "O jovem advogado pode dominar conceitos jurídicos e, ao mesmo tempo, ainda ter pouca experiência para lidar com procedimentos, contratantes, prazos e situações inesperadas", pontua.
"O próprio levantamento da OAB ajuda a mostrar que o início da carreira reúne diferentes obstáculos: além dos 2.506 profissionais que mencionaram insegurança técnica e prática processual, 1.299 apontaram falta de mentoria e 3.279 citaram falta de clientes", acrescenta.
Primeiras oportunidades na correspondência jurídica
De acordo com Priscila Pinheiro, o ideal é que o profissional comece por atividades compatíveis com o seu nível de experiência. "Atividades como protocolos, obtenção de documentos e certidões, diligências em fóruns e cartórios e determinados acompanhamentos podem proporcionar um primeiro contato com a rotina jurídica sem exigir que o jovem advogado comece sua trajetória assumindo imediatamente situações de maior complexidade", explica.
Segundo ela, esse tipo de atuação também constrói relacionamentos que podem se repetir ao longo da carreira. "Cada serviço também pode representar um novo relacionamento profissional, já que uma boa entrega pode gerar recorrência e ampliar a rede de escritórios e contratantes com os quais esse advogado se relaciona", complementa.
Gian Nunes, cofundador do Correspondente Dinâmico e especialista em tecnologia, avalia que ferramentas digitais têm papel relevante na ampliação do acesso às primeiras oportunidades. "A tendência é que a tecnologia torne o acesso às oportunidades cada vez menos dependente de indicação pessoal ou de uma rede de contatos previamente estabelecida. Isso é especialmente importante para o jovem advogado, que normalmente ainda está construindo seu networking e sua reputação", percebe.
"Na correspondência jurídica, plataformas digitais conseguem aproximar demandas de profissionais disponíveis em diferentes localidades, criando uma entrada mais acessível para quem está começando. Para a jovem advocacia, isso pode significar uma trajetória mais gradual: começar com demandas compatíveis com o momento da carreira, construir histórico de atuação e ampliar a complexidade dos serviços conforme desenvolve experiência e confiança", conclui.
Os dados do Censo Fala Jovem Advocacia ajudam a situar um desafio pouco discutido na advocacia: a distância entre a aprovação no exame profissional e a segurança para atuar sozinho nas primeiras demandas. Nesse contexto, iniciativas que possibilitam uma entrada gradual na profissão, começando por atividades compatíveis com a experiência disponível e avançando conforme o desenvolvimento do profissional, têm sido associadas ao processo de amadurecimento da jovem advocacia brasileira.
Para mais informações, basta acessar: correspondentedinamico.com.br

