Da lista de convidados à economia da influência
Em um mercado no qual uma boa agenda de contatos sempre teve valor, Diego Giallanza construiu sua trajetória profissional a partir de uma premissa que ganhou novas dimensões com as redes sociais: mais do que conhecer pessoas, é preciso identificar quais conexões podem gerar projetos, conteúdo e negócios.
Carioca radicado em Brasília, Giallanza iniciou sua trajetória no mercado de modelos e acompanhou a transformação de um setor que deixou de depender apenas do casting publicitário tradicional. Ao longo dos anos, passou a aproximar gestão de talentos, influência digital, comunicação, gastronomia, turismo, marcas e entretenimento.
Desse cruzamento se desenvolveu o atual formato da BRAIN Assessoria, agência dirigida por Giallanza, baseada na capital federal e com atuação internacional. O modelo reúne modelos, atores, criadores de conteúdo e personalidades e acompanha mudanças na forma como as marcas utilizam influência e conteúdo.
Pesquisa realizada pelo IAB Brasil em parceria com a Offerwise em 2025 mostrou que oito em cada dez brasileiros já compraram produtos recomendados por criadores de conteúdo, enquanto sete em cada dez apontaram a autenticidade como fator decisivo nessa relação.
Na BRAIN, uma das respostas a esse movimento foi ampliar as possibilidades comerciais dos próprios talentos. Além do casting convencional, a agência passou a estruturar ações em formato UGC e projetos ligados à performance, nos quais links e outros mecanismos permitem acompanhar conversões geradas pelo conteúdo.
Segundo a agência, esse formato já foi utilizado em ações envolvendo marcas como Mercado Pago, McDonald’s, PagBank e Sem Parar. A proposta é permitir que um talento possa atuar também como produtor de conteúdo e, em determinados projetos, participar de modelos ligados à geração de resultados mensuráveis.
A tendência é global. Nos Estados Unidos, o IAB informou que o investimento publicitário na creator economy chegou a US$ 37 bilhões em 2025, alta de 26% em um ano. O avanço ajuda a explicar por que creators passaram a ocupar espaço cada vez mais permanente nas estratégias das marcas.
Para Giallanza, a transformação também alterou o papel das agências. O número de seguidores continua relevante, mas divide espaço com outras capacidades, como produzir UGC, criar conteúdo para marcas e gerar conversões.
Essa mesma lógica ganhou uma nova frente dentro da BRAIN: os espetáculos teatrais. A agência ampliou sua atuação junto a produções que chegam a Brasília e a outras cidades, conectando espetáculos e elencos a hotelaria, gastronomia, bem-estar, comunicação e experiências locais.
Brasília funciona como principal base desse modelo. A operação considera toda a jornada ao redor da temporada: hospedagem, alimentação, experiências, atividades de wellness, conteúdo, imprensa e possíveis conexões com parceiros locais.
A BRAIN tem participado dessa dinâmica em temporadas, ações e experiências envolvendo nomes como Luiz Fernando Guimarães, Alessandra Negrini, Susana Vieira, Reynaldo Gianecchini, Rainer Cadete, Eduardo Moscovis, Herson Capri, Caio Blat, Maria Casadevall e Débora Ozório.
O movimento dialoga com uma cadeia de entretenimento de impacto econômico amplo. Dados divulgados pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE) em agosto de 2026 apontaram 208,1 mil empregos formais nas atividades de eventos, espetáculos, cultura, recreação e lazer. Considerando o ecossistema associado, que inclui hospedagem, alimentação, publicidade e infraestrutura, eram 4,36 milhões de empregos formais.
É nesse território que Giallanza vem concentrando sua atuação. Paralelamente à BRAIN, trabalha na comunicação como editor-chefe do Diário de Brasília e mantém projetos ligados à gastronomia e à criação de conteúdo. São frentes diferentes que passaram a formar uma rede comum de relacionamentos.
Em vez da figura clássica do relações-públicas associada exclusivamente a listas de convidados, festas e eventos, o modelo passou a incorporar creators, campanhas digitais, performance, gestão de talentos e experiências.
Uma mesma conexão pode ter desdobramentos distintos: um modelo pode produzir UGC para uma marca; um criador pode participar de uma campanha com remuneração por conversão; um artista que chega para uma temporada teatral pode ser conectado a hotéis, restaurantes e experiências locais.
"Durante muito tempo, relações públicas foi associado a conhecer pessoas e colocá-las no mesmo ambiente. Hoje, o desafio é entender o que uma conexão pode gerar para os dois lados. Às vezes é conteúdo, uma campanha, uma experiência, um trabalho para um talento ou uma oportunidade para uma marca", afirma Giallanza.
A atuação nacional não elimina o peso de Brasília nessa construção. Foi na capital que Giallanza concentrou sua principal rede e estruturou um ecossistema que hoje reúne talentos, comunicação, marcas e entretenimento. Em outras cidades, o modelo é replicado por meio de parceiros locais.
A trajetória acompanha uma mudança mais ampla na economia da influência. As fronteiras entre relações públicas, gestão de talentos, publicidade, creator marketing, performance e experiência estão menos definidas. Nesse cenário, a agenda de contatos continua importante. O que mudou é o que se faz com ela.

