Moraes dobra a aposta e ignora sanções de Trump: “Não nos acovardaremos”
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), respondeu nesta sexta-feira (1º) às sanções impostas pelo governo Donald Trump, afirmando que continuará conduzindo o julgamento dos réus acusados de ‘tentativa de golpe de Estado em 2022’, incluindo Jair Bolsonaro (PL), sem qualquer alteração no cronograma. Em tom desafiador, Moraes afirmou que “ignorará” as punições e reforçou que o STF não cederá a pressões externas.
“O rito processual do STF não se adiantará, não se atrasará. Este relator vai ignorar as sanções aplicadas e continuará os julgamentos, sempre de forma colegiada, não nos acovardando diante de ameaças, sejam daqui ou de qualquer outro lugar”, disse o ministro na abertura do semestre do Judiciário.
As declarações ocorrem dois dias após Trump aplicar a Lei Magnitsky contra Moraes, bloqueando bens e contas nos EUA, suspendendo vistos do ministro, de familiares e aliados, e oficializando um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros. Segundo a Casa Branca, as medidas respondem a “perseguições políticas” contra Bolsonaro e seus apoiadores, incluindo o julgamento do ex-presidente no STF.
O gesto de Moraes foi interpretado como um recado de que a Corte não pretende rever ou atrasar o processo por pressão internacional. O núcleo central da ação, que envolve Bolsonaro e ex-integrantes do governo, será julgado ainda neste semestre, segundo o relator.
O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e outros ministros, como Gilmar Mendes, saíram em defesa de Moraes, destacando a independência do Judiciário e classificando as sanções como um ataque à soberania nacional.

