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OCI Oncológica da Prefeitura de Manaus agiliza exames e favorece diagnóstico precoce do câncer de mama

O câncer de mama é um dos tipos da doença mais incidentes entre as mulheres em todo o mundo, mas a detecção do tumor nas fases iniciais aumenta até 95% as chances de cura. A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), vem fortalecendo o combate ao agravo no município por meio da Oferta de Cuidados Integrados (OCI) Oncológica da Mama, que proporciona maior agilidade na realização de biópsias mamárias, com a entrega de resultados em até 30 dias, favorecendo o diagnóstico precoce e o tratamento em tempo oportuno para as pacientes.

Instalada na policlínica Castelo Branco, no bairro Parque 10 de Novembro, zona Centro-Sul, a OCI Oncológica da Semsa recebe usuárias com laudos de mamografia com classificação Bi-Rads 4 e 5, indicando achados suspeitos de câncer. As pacientes são atendidas em até 30 dias, da coleta de amostra para biópsia, via punção da mama, passando pelo processamento dos exames, até a entrega do diagnóstico e, em caso positivo de malignidade, encaminhamento para a rede especializada.

A diretora da policlínica Castelo Branco, Francicleia Azevedo, relata que o atendimento ganhou rapidez e agilidade graças à iniciativa da Semsa de realizar os exames em laboratório próprio, contratado especificamente para a OCI da Mama. Dessa forma, ela aponta, o serviço atende o disposto na Lei nº 13.896/2019, que assegura a pacientes do SUS com suspeita de câncer o direito a realizar exames diagnósticos com resultados em até 30 dias.

“Os exames eram antes feitos em parceria com o Estado, com amostras coletadas pela Semsa e encaminhadas ao hospital Delphina Aziz. Isso levava de 30 a 45 dias úteis, ou mais de 60 dias corridos. Com a iniciativa da Semsa de ter um laboratório próprio, podemos dar cumprimento ao prazo legal para atendimento das usuárias”, pontua a diretora.

O médico mastologista da policlínica Castelo Branco, Bruno Monção Paolino, aponta que a agilidade nos diagnósticos garante maior chance de cura e contribui para diminuir a mortalidade por câncer de mama entre a população feminina em Manaus. Ele ressalta que o Norte é hoje a região do país com piores resultados quanto ao prazo de diagnóstico da doença, segundo estudo do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

“A média no Norte é muito acima do prazo legal de 30 dias. Na OCI, entregamos os resultados em 15 dias, em média, o que é mérito da gestão municipal. Graças a isso, creio que os próximos indicadores do Inca já vão mostrar uma realidade muito diferente no município”, avalia o especialista.

Bruno explica que o serviço ofertado na unidade abrange os exames anatomopatológico, que confirma ou não o diagnóstico de câncer; e, no primeiro caso, o imunohistoquímico, que indica o tipo de tumor e que é requerido para atendimento de pacientes de câncer na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado (FCecon).

“O exame imunohistoquímico é caro e não é feito em Manaus, sendo um gargalo para outros serviços de saúde. Mas, na OCI da Semsa, conseguimos realizar e entregar respeitando o prazo de 30 dias”, observa.

A OCI Oncológica da Mama da Semsa realizou 368 biópsias da mama de janeiro a setembro deste ano, para usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital. Dentre elas, 134 tiveram resultado positivo de câncer e foram encaminhadas para tratamento na FCecon, na rede especializada.

Atenção humanizada

Outro diferencial da OCI Oncológica da Mama da Semsa, de acordo com Bruno Paolino, é o atendimento humanizado e acompanhamento das usuárias pela equipe do serviço, que conta com duas enfermeiras, duas técnicas de enfermagem e dois médicos mastologistas. As pacientes encaminhadas e agendadas pela rede básica são acolhidas pela equipe de enfermagem da OCI para a primeira consulta, seguindo com a realização da biópsia, se necessário.

“Quando os resultados ficam prontos, a equipe contata as usuárias para agendar a consulta de retorno, e ainda acompanha o seguimento, verificando se ela efetivou a consulta na FCecon. Nós ‘navegamos’ essa paciente para que ela não fique perdida no sistema”, aponta o médico.

Para a técnica de enfermagem Monalisa Valente, que atua no serviço desde 2024, quando entrou na Semsa, a interação e a proximidade no acolhimento das usuárias são pontos altos no dia a dia na unidade. “Nós nos vinculamos às pacientes, mantemos contato, enviamos mensagem para saber como estão. Elas expressam gratidão e falam muito bem do serviço, e isso para nós é muito satisfatório”, revela.

A aposentada Maria das Graças Silva, de 76 anos, foi uma das usuárias cativadas pela atenção e cuidado dos profissionais da policlínica. “É muito bom, todos se dedicam às pessoas e tratam a gente como ser humano. O médico me deixou muito em paz, falou comigo durante o exame sobre os próximos procedimentos, e eu aceitei, pois ele está cuidando de mim com amor e carinho”, relatou a paciente, após passar por coleta de amostras de um nódulo para biópsia.

Maria das Graças expressa sua fé no resultado negativo para câncer e incentiva outras usuárias a manter o autocuidado e a confiança. “Digo às mulheres que não tenham medo, que levantem a cabeça e sigam em frente, pois temos um ser superior que cuida de nós. E façam seus exames, crendo que Deus é poderoso e vai dar sabedoria para o seu médico, e que você vai chegar lá”, declarou.

Formação acadêmica em saúde

Além da assistência à população, a OCI Oncológica da Mama tem ainda papel instrumental na formação em saúde, recebendo estudantes e profissionais de Medicina por meio de programas de residência médica da Escola de Saúde Pública da Semsa (Esap Manaus), em articulação com instituições de ensino superior.

“A Semsa está colaborando aqui com a formação e o aprendizado de ginecologistas e obstetras. A partir da educação, nós contribuímos para que essa experiência seja aprendida e, espero, se Deus quiser, repetida pelo interior”, pontua Bruno Paolino, que é também professor e preceptor do Programa de Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Uma das residentes do programa da UEA é a médica Sarah Belmond, que acompanha a equipe da OCI da Semsa há um mês. Ela pontua que há certa dificuldade de acesso dos residentes à prática em mastologia, por serem poucos os serviços disponíveis na rede de saúde.

“Ficamos superfelizes pelo convite do professor Bruno para atuar no serviço, pois isso vai realmente ampliar o nosso conhecimento nessa subespecialidade. E é muito legal ver que existe um serviço ágil, resolutivo e que direciona as pacientes para o tratamento adequado, muitas vezes de forma precoce”, avalia.

Francicleia Azevedo enfatiza a importância da contribuição da Semsa com a ciência e com a formação acadêmica, em qualquer nível de formação. “Cada profissional que ajudamos a formar também é um legado que deixamos para a sociedade”.

Serviço diagnóstico

A OCI Oncológica da Mama da Semsa Manaus iniciou as atividades em fevereiro deste ano, após orientação do Ministério da Saúde para a implementação das Ofertas de Cuidado Integrado (OCIs), a partir da organização e da integração de procedimentos e serviços da Atenção Primária e Atenção Especializada. A estratégia compreende linhas de cuidado de agravos diversos, incluindo a do câncer de mama.

A OCI Oncológica aprimorou o Serviço Municipal de Referência para o Diagnóstico de Câncer de Mama (SDM), implementado pela Semsa em fevereiro de 2022, como parte das estratégias da gestão municipal da saúde para fortalecimento da prevenção e rastreio do câncer mamário na capital.

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Texto e fotos – Jony Clay Borges / Semsa