“Vou explodir tudo”: mensagens de Vorcaro revelam ameaça de guerra e quebra do Banco Master dias antes da prisão
Mensagens recuperadas pela Polícia Federal revelam que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ameaçou “explodir tudo” e iniciar uma “guerra” caso não conseguisse resolver um impasse envolvendo ações do Banco de Brasília (BRB). As declarações foram feitas em 6 de novembro de 2025, apenas 11 dias antes de sua primeira prisão e 12 dias antes da liquidação do Master pelo Banco Central.
As conversas, divulgadas nesta terça-feira (13) pela revista Veja, mostram um banqueiro pressionado por dificuldades financeiras e disposto a levar o conflito às últimas consequências, mesmo diante da possibilidade de quebra de sua própria instituição.
O principal alvo das cobranças era João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos e investigado por suspeita de participação em irregularidades relacionadas ao Banco Master. Segundo a reportagem, Vorcaro precisava que ações do BRB fossem liberadas para uma operação financeira, mas enfrentava resistência de Mansur.
Em uma mensagem enviada ao advogado Daniel Lopes Monteiro, Vorcaro afirmou que havia chegado ao limite e ameaçou tomar medidas caso as ações não fossem entregues.
“As pessoas precisam entender que cheguei num ponto que vou explodir tudo”, escreveu o banqueiro.
Em seguida, declarou que estava cansado de resolver problemas de terceiros e advertiu que, sem a alienação das ações, o Master poderia entrar em inadimplência e quebrar.
A mensagem evidencia a urgência atribuída por Vorcaro à operação. O banqueiro vinculou diretamente a liberação dos papéis do BRB à capacidade de sua instituição de cumprir compromissos financeiros.
A conversa foi identificada pela Polícia Federal e encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações sobre as operações do Banco Master.
Vorcaro citou operação que investigou lavagem de dinheiro do PCC
Outro trecho das mensagens chamou a atenção dos investigadores.
Durante as cobranças, Vorcaro afirmou que “Carbono vai ser fichinha”, em uma aparente referência à Operação Carbono Oculto, deflagrada meses antes para investigar a utilização de empresas e estruturas financeiras na lavagem de dinheiro relacionada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a Veja, a própria Polícia Federal interpretou a declaração como uma referência à operação.
A menção é relevante pelo contexto em que foi feita. Vorcaro ameaçava ampliar o conflito com pessoas envolvidas nas operações financeiras e demonstrava disposição para romper relações caso suas exigências não fossem atendidas.
A referência à Carbono Oculto, entretanto, não comprova, isoladamente, que o banqueiro tivesse conhecimento de crimes específicos investigados naquela operação ou que estivesse ameaçando revelar informações sobre o PCC.
Para esclarecer o significado da declaração, seria necessário examinar o conjunto das conversas e os demais elementos reunidos pela investigação.
Banqueiro ameaçou romper relações e iniciar uma guerra
A escalada das cobranças continuou em outras mensagens enviadas ao advogado Daniel Lopes Monteiro, apontado nas investigações como suspeito de atuar na operacionalização de negócios de Vorcaro.
O banqueiro exigiu que as ações fossem alienadas imediatamente e afirmou que qualquer pessoa que deixasse de atender à determinação teria as relações comerciais e pessoais rompidas.
A ameaça terminou com a advertência de que os envolvidos entrariam em guerra.
As mensagens indicam que Vorcaro via a operação com ações do BRB como uma questão decisiva para a sobrevivência financeira do Master naquele momento.
Também revelam o grau de tensão entre o banqueiro e outros participantes das transações, em um período em que as dificuldades da instituição já se aproximavam de um desfecho.
Onze dias depois daquela conversa, em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso pela primeira vez.
No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, encerrando as atividades da instituição sob o regime de liquidação extrajudicial.
A sequência cronológica dá dimensão à gravidade das mensagens recuperadas: pouco antes da intervenção regulatória, o próprio controlador já mencionava a possibilidade de o banco não conseguir honrar suas obrigações.
Mensagens ampliam questionamentos sobre operações com o BRB
A descoberta acrescenta novos elementos às investigações que examinam as relações financeiras entre o Banco Master, o BRB e agentes envolvidos nas operações das duas instituições.
Além das suspeitas sobre negociações de carteiras de crédito e movimentações financeiras, a Polícia Federal passou a reunir registros que permitem reconstruir os bastidores das decisões tomadas pelo grupo de Vorcaro antes da liquidação.
Nesse contexto, a disputa pelas ações do BRB se torna especialmente relevante. As mensagens mostram que os papéis eram tratados pelo banqueiro como fundamentais para uma operação que poderia afetar a capacidade de pagamento do Master.

