Wilson Lima e Alberto Neto: a aliança do faz de conta com o oportunismo que ameaça o Amazonas
De um lado, Wilson Lima. Sete anos no governo do Amazonas e o saldo que fica para a população é amargo. A saúde virou um caos permanente, com falta de medicamentos, leitos lotados e interior abandonado. A segurança pública, que deveria ser prioridade, foi entregue à própria sorte, com o avanço das facções, pirataria nos rios e o cidadão de bem trancado em casa.
É o governo do faz de conta. Um governo de estúdio, de muita rede social, de lives e vídeos bem produzidos, mas que na ponta, no ramal, na comunidade ribeirinha, não entrega. Prometeu hospital, entregou maquete. Prometeu segurança, entregou estatística maquiada. O amazonense já percebeu que propaganda não enche o prato.
De outro lado, o deputado Alberto Neto. Um parlamentar que construiu toda a sua carreira surfando na aba bolsonarista, gritando palavras de ordem na internet, mas que nunca apresentou um projeto estruturante que mudasse a vida do povo do Amazonas. Quando Manaus precisou, quando o interior pediu socorro, ele estava ausente.
Alberto Neto não fede nem cheira no Congresso quando o assunto é Amazonas. É visto em Brasília como mais um radical, mas aqui é lembrado como ausente. Não trouxe grande obra, não destravou recurso decisivo, não defendeu o Polo Industrial com a força que o cargo exige. Fez nome atacando, mas nunca construindo.
E nessa aliança de interesses, entra o Major da PMAM, hoje deputado federal, que enriqueceu longe daqui com fazenda de camarão no Nordeste enquanto usava a farda do Amazonas. Um militar que ganha milhões fora do estado e agora quer dar as cartas aqui dentro, como se conhecesse a fome do povo do Purus, do Juruá e do Alto Rio Negro.
Para fechar esse pacote, esse grupo agora coloca como vice uma figura ligada ao Porto de Manaus, conhecido por arrancar o couro de quem precisa usar o porto, com taxas abusivas que sufocam o pequeno comerciante, o produtor rural e o empresário que gera emprego. É a lógica do pedágio, do quanto mais tirar do povo, melhor.
No fim, é a junção do que o Amazonas tem de pior: de um lado o governo que não fez nada em 7 anos e deixou saúde e segurança no caos, do outro lado quem nunca trabalhou pelo estado e vive de discurso. É a velha política, com nova roupagem, onde o Amazonas serve apenas de palanque para projetos pessoais e negócios milionários longe daqui.

