Cooperativismo financeiro amplia retorno aos associados
O cooperativismo financeiro mantém trajetória de expansão no Brasil e amplia sua participação no Sistema Financeiro Nacional. Segundo o Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), divulgado pelo Banco Central, o segmento encerrou 2025 com 21,2 milhões de cooperados e presença em 59% dos municípios brasileiros. Os ativos das cooperativas de crédito ultrapassaram R$ 1 trilhão no período.
O avanço do setor também amplia a discussão sobre quanto do resultado econômico das cooperativas retorna aos próprios associados. Uma das formas de acompanhar esse impacto é o Benefício Econômico e Social (BES), indicador que busca mensurar os benefícios gerados pelas cooperativas de crédito aos cooperados.
Em 2025, o Sistema Unicred registrou R$ 3,1 bilhões em Benefício Econômico e Social, o equivalente a uma média de R$ 12,5 mil por cooperado.
O cálculo considera diferentes formas de benefício proporcionadas pelo modelo cooperativo, como distribuição de sobras, participação nos resultados e diferenças entre taxas e preços praticados pelas cooperativas e aqueles encontrados no mercado financeiro. O indicador permite, assim, estimar o retorno econômico proporcionado aos associados pela participação no sistema cooperativo.
Para Daniel Ely, CEO da Unicred do Brasil, indicadores desse tipo ajudam a tornar mais perceptível o impacto econômico do cooperativismo para os associados. "No fim do dia, o cooperado quer entender se aquela relação financeira faz diferença concreta na vida dele. O BES ajuda justamente a tangibilizar isso. Não estamos falando apenas de resultado institucional, mas de recursos que retornam, condições mais equilibradas e impacto econômico distribuído de outra forma", afirma.
A discussão sobre o retorno ao cooperado ganha relevância à medida que o setor aumenta sua participação no sistema financeiro. De acordo com o Banco Central, além de ultrapassar R$ 1 trilhão em ativos em 2025, o cooperativismo financeiro manteve expansão das operações de crédito e das captações, com atuação relevante no financiamento de micro, pequenas e médias empresas e do setor agroindustrial.
Para Ely, analisar o setor a partir dos benefícios gerados aos associados acrescenta outra dimensão aos indicadores tradicionais de crescimento. "Durante muito tempo, o mercado olhou para o cooperativismo apenas pelo tamanho da operação ou pela expansão das carteiras. O BES traz outra perspectiva porque mostra quanto desse resultado efetivamente retorna para as pessoas e para os territórios onde as cooperativas estão inseridas", afirma.
A expansão do segmento financeiro ocorre dentro de um movimento mais amplo do cooperativismo brasileiro. Dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, elaborado pelo Sistema OCB, mostram que as cooperativas brasileiras somaram R$ 1,6 trilhão em ativos e R$ 848,3 bilhões em ingressos em 2025.
Os números ajudam a dimensionar o papel econômico do cooperativismo e a relevância de indicadores capazes de acompanhar não apenas o crescimento das instituições, mas também os benefícios gerados aos associados.

