Gestão hídrica é o caminho para evitar a escassez
A Conferência das Nações Unidas sobre a Água será realizada entre 8 e 10 de dezembro de 2026, em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, com o objetivo de acelerar ações globais para cumprir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (ODS 6) da Agenda 2030, que visa garantir água potável e saneamento para todos.
No Brasil, o consumo médio de água ultrapassa 150 litros por habitante por dia, de acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Esse indicador evidencia a necessidade de conscientização e de práticas sustentáveis, conforme destaca Vininha F. Carvalho, economista, ambientalista e editora da Revista Ecotour News & Negócios.
Paulo Paschoal, diretor de Operações da Opersan, empresa com mais de quatro décadas de experiência em gestão de águas e efluentes, afirma que a água deixou de ser apenas um recurso operacional e passou a ocupar posição estratégica nas indústrias. Soluções de tratamento e reuso contribuem para a redução de desperdícios, aumento da eficiência hídrica e maior segurança operacional nas plantas, especialmente diante da crescente pressão sobre os recursos naturais.
O aumento de eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas, tem elevado a importância do planejamento das bacias hidrográficas. Estudos do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas apontam o Nordeste como uma das regiões mais vulneráveis à variabilidade climática, intensificando os desafios de disponibilidade e gestão dos recursos hídricos.
Desde a proposta da Rio‑92, que colocou a questão hídrica no centro da agenda global, governos, empresas e a sociedade têm sido incentivados a adotar práticas de uso consciente da água. Apesar dos avanços em investimentos e políticas públicas ao longo de 34 anos, o Brasil ainda perde, em média, 40% da água tratada antes de chegar ao consumidor, segundo dados do SNIS.
Vininha F. Carvalho conclui que a sustentabilidade depende de inovação e de gestão eficiente dos recursos naturais, ressaltando que a escassez é agravada pela contaminação das águas e pelo crescimento urbano, pelas mudanças climáticas e pelo aumento do consumo.

