Política

Caiado diz confiar nas urnas e chama de “inadmissível” qualquer interferência dos EUA nas eleições

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou neste sábado (25) que considera “inadmissível” qualquer tentativa de governos estrangeiros de colocar em dúvida a segurança e a lisura das eleições brasileiras. A declaração foi feita após o governo dos Estados Unidos negar que a missão de dois representantes do Departamento de Estado tivesse o objetivo de interferir no processo eleitoral.

Caiado disse confiar nas urnas eletrônicas e defendeu a presença de observadores internacionais para acompanhar as eleições, desde que não haja questionamentos sobre a legitimidade do resultado.

“Eu confio nas urnas eleitorais do Brasil. Também sempre concordei que cada eleição tivesse a presença de observadores de diferentes países. Mas considero inadmissível que qualquer país, incluindo os EUA, queira colocar em dúvida a lisura e os resultados das nossas eleições”, afirmou.

A manifestação ocorre após o governo brasileiro negar vistos diplomáticos a Riley M. Barnes, secretário-assistente do Departamento de Estado, e Samuel Samson, subsecretário-assistente. Segundo informações publicadas pelo The Washington Post, os dois viajariam a Brasília para cumprir uma agenda relacionada à integridade do sistema eleitoral.

Nos bastidores, diplomatas brasileiros consideraram a visita incomum. O governo avaliou que a missão poderia representar uma tentativa de questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas e decidiu impedir a entrada dos representantes norte-americanos.

EUA negam tentativa de interferência

Em nota, o Departamento de Estado dos Estados Unidos negou que a missão tivesse qualquer objetivo de influenciar as eleições brasileiras e classificou como “mentira sem fundamento” a suspeita de interferência.

Segundo o governo norte-americano, a visita fazia parte das atividades regulares do órgão e estava dentro das atribuições legais do Departamento de Estado. Ainda de acordo com o The Washington Post, Barnes e Samson foram indicados politicamente pela administração do presidente Donald Trump.

TSE diz que não conhecia a pauta da visita

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que recebeu uma consulta da Embaixada dos Estados Unidos sobre uma possível reunião com os representantes norte-americanos, mas afirmou que não foi informado sobre os assuntos que seriam tratados.

De acordo com a Corte, o encontro acabou não sendo realizado em razão do recesso do Judiciário. Já o Itamaraty decidiu negar os vistos após considerar atípica a solicitação apresentada pelo governo dos Estados Unidos