Saúde bucal deve entrar na lista de cuidados da gravidez
Descobrir uma gravidez desenrola uma série de novidades na família. Mudam prioridades, surgem novas especialidades médicas na agenda, adapta-se a rotina. Mas a saúde bucal segue fora do radar de parte considerável das gestantes brasileiras: apenas metade delas (53%) realizou atendimento odontológico durante o pré-natal no primeiro quadrimestre de 2025, segundo os dados mais recentes do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab), do Ministério da Saúde.
"A partir do momento em que se constata a gravidez, além de exames pré-natal tradicionais, a futura mamãe deve incluir visitas ao dentista na sua lista de exames periódicos", afirma o cirurgião-dentista Douglas de Tarso, da Dentemergência, centro de especialidades odontológicas da Grande São Paulo.
"Várias alterações bucais na gestação ocorrem pela flutuação dos hormônios, que causam enjoos, vômitos frequentes, gengivite gravídica, aumento da sensibilidade, erosão dentária, xerostomia "[sensação de boca seca] e cáries, devido à acidez bucal e ao aumento do consumo de carboidratos e doces, comuns nos ‘desejos’ da grávida", complementa.
A resistência de muitas gestantes em procurar o dentista tem raízes em crenças que atravessam gerações, mas que já foram desmistificadas: o tratamento odontológico pode ser feito em qualquer fase da gravidez, e não apenas no segundo trimestre; radiografias são seguras quando feitas com avental de chumbo, já que a exposição à radiação é mínima; e os dentes da gestante não perdem cálcio para a formação dos dentes do bebê, que vêm da alimentação da mãe, não da estrutura dentária já formada.
"Nas consultas odontológicas, o dentista poderá esclarecer para a gestante que não tomar anestesia, não fazer raio-x, não tomar medicações e dividir cálcio com o bebê são simplesmente mitos", informa Douglas de Tarso.
Sinais que pedem atenção
Na prática clínica, segundo o cirurgião-dentista, os erros mais frequentes não estão sempre relacionados à falta de informação técnica, mas a eventuais deslizes — que trazem consequências.
"As negligências com os cuidados bucais podem causar à gestante sinais de alerta, como inchaço no rosto, presença de pus, dor de nervo exposto, sangramento gengival sem controle, além do desconforto da dor", descreve. Esses quadros indicam infecção em curso e pedem atendimento imediato, independentemente da fase da gestação.
A escovação após episódios de enjoo é outro ponto de atenção. Em casos de refluxo ou vômito, a orientação é fazer bochechos com água para remover a acidez da boca e aguardar cerca de 30 minutos antes de escovar os dentes. A escovação imediata pode acelerar o desgaste do esmalte já fragilizado pelo ácido gástrico.
O trimestre ideal para visitar o dentista
Apesar de a maioria dos procedimentos odontológicos poderem ser realizados em qualquer fase da gestação, há uma janela considerada mais segura. De acordo com instruções do cirurgião da Dentemergência, o segundo trimestre é indicado para tratamentos como exodontias simples, restaurações, instalação de próteses e terapia periodontal. Nesse período, os enjoos do início da gravidez já diminuíram e o volume abdominal ainda não compromete o conforto na cadeira odontológica.
O primeiro trimestre, em contrapartida, é apontado pelo especialista como o momento mais sensível, já que concentra boa parte das transformações embrionárias. Nele, a recomendação é se concentrar em orientação e prevenção, com procedimentos restauradores adiados sempre que possível. No terceiro trimestre, o desconforto na cadeira aumenta e crescem os riscos de hipotensão postural, o que também leva profissionais a priorizar intervenções pontuais.
No entanto, a urgência não segue esse calendário. Por isso, Douglas de Tarso ressalta a prevenção. "O acompanhamento odontológico permite identificar precocemente qualquer alteração bucal, evitando intervenções de urgência, contribuindo para uma gestação mais tranquila para mãe e bebê", conclui.
Para mais informações, basta acessar o site da Dentemergência.

