DestaquesPrefeitura de Manaus

Prefeitura de Manaus fortalece leitura e escrita na EJA com projeto interdisciplinar

A Educação de Jovens e Adultos (EJA), ofertada pela Prefeitura de Manaus para jovens a partir dos 15 anos de idade, atende atualmente 7.380 estudantes em 66 unidades de ensino da rede municipal. Garantir o acesso à educação para cidadãos que, por diferentes motivos, interromperam sua trajetória escolar é um desafio constante, e uma das estratégias desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) para fortalecer esse processo é o projeto “Círculo de Leitura e Escrita na EJA”.

A iniciativa tem como objetivo promover o desenvolvimento das habilidades de leitura, escrita e interpretação dos estudantes dos 1º e 2º segmentos da modalidade. O projeto estimula encontros de leitura, rodas de conversa, debates e produções textuais, valorizando as experiências de vida dos educandos e incentivando o pensamento crítico.

O projeto é desenvolvido por meio de rodadas de produção, organizadas em encontros que estimulam a leitura, a pesquisa e o diálogo entre os estudantes. Na primeira etapa, os participantes escolhem um tema de interesse e realizam pesquisas utilizando diferentes materiais, como imagens, cartazes, recortes de jornais e revistas, vídeos e músicas.

Durante os encontros, os estudantes apresentam os conteúdos pesquisados em rodas de conversa, compartilhando informações e experiências relacionadas ao tema. A partir dessas discussões, os professores trabalham as características dos diferentes gêneros textuais, promovendo a ampliação do repertório cultural e o desenvolvimento da capacidade crítica dos educandos.

Nas etapas seguintes, os estudantes aprofundam os conhecimentos adquiridos por meio da leitura de diferentes gêneros textuais e passam a produzir seus próprios textos. Após a orientação dos professores, as produções são corrigidas, revisadas e reescritas pelos autores, fortalecendo o processo de aprendizagem da escrita.

Para a gerente da Educação de Jovens e Adultos da Semed, Alina Bindá, o diferencial do projeto está na valorização das histórias de vida dos estudantes, que se tornam protagonistas do próprio processo de aprendizagem.

“O projeto Círculo de Leitura e Escrita na EJA tem como objetivo trabalhar as competências leitora e escritora dos estudantes, garantindo uma educação cada vez mais qualificada. O principal aspecto que torna essa iniciativa significativa é que toda a construção das atividades acontece a partir da realidade de vida dos nossos alunos. Eles trazem consigo experiências, conhecimentos e histórias que são valorizadas dentro da escola. Quando o estudante percebe que sua trajetória é importante e pode ser transformada em texto, ele se sente pertencente ao ambiente escolar e passa a enxergar a educação como um espaço onde sua voz é ouvida”, destacou Alina.

Ao longo das rodadas, as melhores produções são selecionadas para compor os Cadernos do Círculo de Leitura e Escrita na EJA, que reúnem desenhos, frases e textos elaborados pelos estudantes. O trabalho é concluído com a socialização dessas produções, valorizando o protagonismo dos educandos e compartilhando com a comunidade escolar os resultados alcançados durante o projeto.

Na escola municipal Vicente de Paula, localizada na zona sul da cidade, onde participa do projeto, a estudante Maria do Perpétuo Socorro, de 66 anos, escolheu retratar as transformações do bairro Japiim ao longo dos anos. Em seu texto, ela relembrou as ruas de barro, a convivência entre os moradores e o surgimento de espaços que contribuíram para o desenvolvimento da comunidade.

“O bairro do Japiim passou por muitas mudanças. Antes era uma região mais simples, com poucas casas e ruas de barro. Com o passar do tempo surgiram escolas, praças e melhorias que contribuíram para a educação e o lazer dos moradores. Foi muito bom poder escrever sobre um lugar que faz parte da minha história”, contou a estudante.

A professora da turma, Daniele Mafra, explica que as atividades permitem que os alunos transformem suas memórias e vivências em produções textuais significativas.

“Estamos finalizando o caderno com textos produzidos a partir do tema da comunidade. Durante as rodas de conversa, os alunos compartilharam experiências sobre as ruas onde moram, as mudanças que acompanharam e os desafios que ainda observam no bairro. São relatos muito ricos, que refletem a realidade deles. O projeto fortalece a leitura e a escrita, mas também desenvolve autonomia e segurança. Hoje eles escrevem com muito mais confiança e isso demonstra o impacto positivo do trabalho realizado em sala de aula”, afirmou.

A estudante Francisca Araújo Dantas, de 45 anos, destaca que o projeto tem contribuído diretamente para sua evolução na escrita e na autoestima. Após décadas longe da escola, ela decidiu retomar os estudos e encontrou na EJA uma oportunidade de transformação.

“Eu parei de estudar muito cedo e passei muitos anos sem escrever. Quando voltei para a escola, sentia nervosismo até para assinar meu nome. Hoje consigo escrever meus textos com mais tranquilidade e confiança. No trabalho sobre o bairro onde moro, escrevi que gosto de viver em um lugar calmo, que evoluiu bastante e tem pessoas muito acolhedoras. Eu percebo o quanto melhorei e isso me dá mais segurança para continuar aprendendo”, relatou.

Além das atividades desenvolvidas nas escolas e turmas da EJA, a iniciativa conta com o Concurso Escola Leitora na EJA, que reconhece e valoriza experiências pedagógicas exitosas construídas por estudantes, professores e equipes escolares ao longo do projeto.

A culminância prevê a socialização das produções reunidas nos cadernos elaborados pelas unidades de ensino, fortalecendo o protagonismo dos estudantes e reafirmando o compromisso da Prefeitura de Manaus com uma educação inclusiva, transformadora e voltada para a formação cidadã.

— — —

Texto – Alexandre Abreu/Semed

Fotos – Eliton Santos/Semed

Disponíveis em – https://flic.kr/s/aHBqjCV4qc