Economia

Arrecadação recorde em 2025 expõe contradição fiscal do governo Lula: mais tributos, mais dívida

Apesar de ter batido o maior valor da série histórica com R$ 2,886 trilhões arrecadados em 2025, a política fiscal do governo Lula enfrenta questionamentos sobre sua sustentabilidade. O crescimento real de 3,65% em relação a 2024 — ano que também já havia registrado recorde — foi impulsionado pelo aumento generalizado de impostos, mas não impediu a projeção de uma disparada da dívida pública, que pode alcançar 95% do PIB em dez anos, segundo alerta do Tesouro Nacional.

A maior parte da arrecadação, R$ 2,7 trilhões, veio de receitas administradas diretamente pela Receita Federal, com crescimento real de 4,27%. Destaque para o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que saltou 20,54% após sucessivos reajustes de alíquota, além da taxação de apostas eletrônicas e plataformas digitais — medidas chanceladas pelo Congresso, com apoio do Planalto.

O mês de dezembro fechou o ano com R$ 292,7 bilhões arrecadados, outro recorde mensal, que representa alta de 7,46% sobre o mesmo período do ano anterior.

Mesmo diante do desempenho robusto do Fisco, o relatório do Tesouro Nacionalacende um sinal de alerta: a dívida bruta pode alcançar 89% do PIB até 2032 e seguir acima de 88% até 2035, mesmo em cenários considerados favoráveis.

O crescimento acelerado da dívida decorre, em parte, da Emenda Constitucional dos Precatórios, aprovada com apoio do governo em 2025, que flexibilizou o teto de gastos ao retirar gradualmente despesas com sentenças judiciais do limite fiscal. O novo regime estabelece dez anos de transição, o que, na prática, prolonga os efeitos expansionistas no orçamento público.

A combinação de carga tributária crescente com projeção de explosão da dívida pública expõe uma contradição central na gestão fiscal do governo: a arrecadação bate recordes, mas a confiança do mercado no equilíbrio das contas públicas não acompanha o ritmo.

Economistas apontam que, sem cortes efetivos de despesas e reformas estruturais, a política tributária agressiva tende a esbarrar nos limites do crescimento econômico e no desgaste político, principalmente com a pressão inflacionária e o risco de fuga de capitais.

O discurso de responsabilidade fiscal do governo contrasta com a prática de aumentar receitas via impostos, sem enfrentar o custo da máquina pública e o rombo previdenciário, o que enfraquece a credibilidade do arcabouço fiscal recém-reformado.

O recorde de arrecadação em 2025 reflete um governo com forte capacidade de extrair recursos da sociedade, mas sem demonstrar eficiência no controle da dívida pública. A política fiscal do presidente Lula pode ter fôlego de curto prazo, mas carrega um fardo que ameaça a estabilidade econômica nos próximos anos.

Mais do que tributar, o desafio do governo agora é gastar menos e melhor — e isso, até agora, não está no horizonte das medidas adotadas.