BrasilEscândalo de Corrupção

Toffoli manda PF enviar bens do Banco Master ao STF “lacrados” após operação contra família de Vorcaro

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que todos os itens apreendidos pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero — que investiga fraudes bilionárias ligadas ao Banco Master — sejam enviados lacrados diretamente ao Supremo.

A decisão eleva o grau de controle do STF sobre a investigação e impõe à Polícia Federal um regime de custódia rígida das provas coletadas contra o banqueiro Daniel Vorcaro, seus familiares e empresários ligados aos fundos usados no esquema.

Na ordem, Toffoli determinou que veículos de luxo, dinheiro em espécie, joias, relógios, armas, documentos, celulares, computadores e mídias digitais apreendidos na operação não permaneçam sob custódia da PF, mas sejam remetidos ao STF em embalagens lacradas, com identificação e cadeia de custódia formal.

A medida atinge tudo o que foi recolhido durante os 42 mandados de busca e apreensão cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul.

Segundo o despacho, o envio lacrado é necessário para preservar a integridade das provas, evitar questionamentos futuros e garantir que nenhuma evidência seja manipulada, acessada ou periciada fora do controle do Supremo.

A Polícia Federal recolheu, nos endereços dos investigados:

  • carros de luxo
  • relógios de alto valor
  • dinheiro em espécie
  • documentos financeiros
  • celulares e computadores
  • uma arma de fogo

Além disso, o STF autorizou o bloqueio e sequestro de mais de R$ 5,7 bilhões em ativos ligados a Vorcaro, seus parentes e empresas usadas para movimentar recursos do Banco Master.

A suspeita central é que valores foram retirados da contabilidade do banco e desviados por meio de fundos de investimento para o patrimônio pessoal dos investigados.

A decisão de Toffoli ocorre no mesmo contexto em que o ministro acusou a PF de “inércia” por ter descumprido o prazo de 24 horas para cumprir prisões e buscas na operação.

Ao centralizar fisicamente as provas no STF, Toffoli retira da PF o controle direto sobre o material mais sensível da investigação, o que também dificulta alegações futuras de extravio, adulteração ou quebra de cadeia de custódia.