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PF pede que Bombeiros do DF atendam Bolsonaro com “celeridade” em caso de emergência

A Polícia Federal enviou um ofício ao Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) solicitando que qualquer atendimento ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão seja realizado com “celeridade”. O documento, divulgado pelo Metrópoles, foi encaminhado ao 15º Grupamento, na Asa Sul, na quinta-feira (27/11), onde ficam as equipes responsáveis pelo atendimento à região onde está localizada a Superintendência da PF.

Segundo o ofício, a orientação da PF decorre do estado de saúde fragilizado do ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses na Superintendência Regional da Polícia Federal, após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

O Corpo de Bombeiros confirmou o recebimento e respondeu que “todos foram orientados quanto ao procedimento a ser adotado, reforçando a necessidade de atendimento imediato sempre que houver acionamento relacionado ao referido custodiado”.

A medida indica que as corporações federais e distritais já operam com protocolo especial para atendimento emergencial, reconhecendo que Bolsonaro apresenta condições clínicas que exigem monitoramento contínuo.

Na audiência de custódia, realizada no início da semana, Bolsonaro relatou uma série de problemas de saúde que se acumulam desde o atentado a faca sofrido em 2018, em Juiz de Fora (MG).
Entre as condições informadas ao juiz, estão:

  • refluxo severo;
  • apneia do sono;
  • necessidade de alimentação especializada;
  • uso contínuo de cinco medicamentos;
  • laudos que comprovam complicações digestivas e respiratórias.

O ex-presidente também voltou a apresentar crises de soluço, sintoma frequente desde as cirurgias no intestino realizadas após a facada desferida por Adélio Bispo. As crises, segundo seus médicos, decorrem da irritação interna causada pelas intervenções cirúrgicas e podem exigir intervenção rápida.

Por isso, a PF acionou previamente o Corpo de Bombeiros, solicitando resposta prioritária e imediata, caso haja agravamento no quadro de Bolsonaro.

A solicitação feita pela PF ao Corpo de Bombeiros ocorre no mesmo dia em que a defesa de Bolsonaro pediu autorização judicial para que dois profissionais — um cardiologista e um fisioterapeuta — ingressem regularmente na unidade federal para prestar acompanhamento.

Segundo os advogados, a supervisão constante é necessária porque o ex-presidente apresenta sequelas permanentes do atentado de 2018, além de alterações respiratórias e digestivas que podem se agravar repentinamente.

Na prática, o pedido de “celeridade” confirma que o sistema de segurança federal reconhece a possibilidade de intercorrências.
Em casos de risco cardíaco, respiratório ou obstrução digestiva — todos compatíveis com o histórico de Bolsonaro —, o tempo de resposta é fator decisivo.

Com as equipes do Corpo de Bombeiros já orientadas, a PF reforça a preparação logística para garantir atendimento imediato no interior da superintendência.

O contraste entre o rigor da execução penal e a necessidade de cuidados médicos complexos torna o caso Bolsonaro incomum do ponto de vista administrativo.
A Justiça agora precisará conciliar:

  • o cumprimento da pena em regime fechado,
  • as exigências médicas decorrentes das múltiplas cirurgias,
  • e os protocolos de segurança típicos de um ex-chefe de Estado.

A expectativa é de que novas decisões judiciais definam ainda nesta semana como será estruturado o atendimento regular ao ex-presidente dentro da PF.