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‘O crime organizado se prepare, porque a Justiça vai derrota-los’ disparou Lula no evento em Manaus

Presidente da República, equipe ministerial e chefes de Estado latinos participaram da inauguração do Centro de Cooperação Policial em Manaus

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu o tom de como deverá funcionar o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI) durante seu discurso na inauguração do local nesta terça-feira (9). O chefe do Estado brasileiro destacou o trabalho do governo contra o crime organizado e disse que a Justiça derrotará as facções criminosas que atuam tanto na Amazônia quanto no restante do país.

“Estar do lado do povo amazônico requer ação firme e decisiva contra o crime. Juntos, seremos mais fortes e eficazes. Por isso, o crime organizado se prepare, porque a Justiça vai derrota-los”, declarou Lula

A fala do presidente ocorreu na sede do CCPI, localizada no bairro Dom Pedro, zona Oeste de Manaus. Lula esteve no local acompanhado de ministros de Estado como Ricardo Lewandowski (Justiça), Frederico Siqueira Filho (Comunicações), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Marina Silva (Meio Ambiente), além do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e da vice-presidente do Equador, Maria José Pinto.

Segundo Lula, a inauguração do CCPI é uma iniciativa “condizente com o tamanho e a importância da Amazônia”, região extremamente visada por “verdadeiras multinacionais do crime que estão entranhadas nos órgãos públicos, nas empresas e nos setores da sociedade, com conexões dentro e fora do país”. Por isso, o governo expandiu a presença da Polícia Federal, que também estará presente agora em todos os países da América do Sul.

“O crime ocupa os lugares que o Estado não preenche. Nossa missão é restituir a força da lei pela presença do Estado, é isso que simboliza esse centro. Por meio dele, agentes de segurança de todos os estados da Amazônia brasileira e de todos os países amazônicos poderão se coordenar para combater a criminalidade”, frisou.

O petista fez questão de enfatizar a união das nações sul-americanas para enfrentar o crime organizado e disse que nenhum deles precisa de “intervenções de estrangeiros, nem de ameaças à nossa soberania”, em referência indireta aos ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a governos latino-americanos.

Ações

O Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia funcionará como um polo de investigações e operações conjuntas dos países amazônicos, que serão auxiliados por tecnologia de ponta. Um vídeo institucional da Polícia Federal mostrou que o centro conterá espaços de monitoramento e gabinete de crise para “promover o intercâmbio rápido de informações” entre os países.

A inauguração do CCPI vem na sequência do plano Amazônia Segurança e Soberania (Amas), lançado em 2023, o qual previu a integração de diversos órgãos do Sistema Único de Segurança Pública (Susp).

“Desde 2024, conduzimos quase 200 operações. Só no ano passado, apreendemos mais de 250 milhões de dólares em média usados para praticar crimes contra o meio ambiente. Inutilizamos 60 milhões de dólares em maquinário de garimpos ilegais como dragas, tratores, retroescavadeiras e aeronaves”, elencou Lula.

Outras ações do governo federal na Amazônia listadas por Lula foram o Programa Ouro Alto para desarticulação de rotas de comércio ilícito de ouro e mercúrio; o Programa Brasil Mais para gerar alertas de satélites contra o desmatamento e a mineração ilegal. 

O presidente lembrou que a maioria dessas ações não teria sido possível sem o financiamento ambiental e climático do Fundo Amazônia, por isso a importância da “solidariedade nacional”.

Consolidação

O diretor-geral da Polícia Federal, delegado Andrei Rodrigues, afirmou que o CCPI é a materialização do compromisso do governo por meio da PF e seus parceiros no “rigoroso enfrentamento ao crime organizado”, sobretudo nos delitos ambientais.

“Nunca antes na história desse país houve um sistema de proteção na Amazônia, isso às vésperas da realização da COP-30, em Belém. Não posso deixar de registrar o meu imenso agradecimento a todos que participaram e participam desse projeto, que é só o começo de uma grande caminhada”, disse Rodrigues.

O delegado pontuou que o CCPI integrará os nove países da Pan-Amazônia, bem como os nove estados membros da Amazônia Legal no combate às forças criminosas.

“Ou vencemos juntos, ou perdemos sozinhos. Segurança pública se faz com ações concretas e efetivas, como esta que estamos fazendo nesse momento”, disse.

Em vídeo enviado ao evento, o policial federal Valdecy Urquiza, atual secretário-geral da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), salientou a importância do CCPI para a comunidade policial internacional em meio à complexidade da região amazônica, que a torna vulnerável diante dos criminosos.

“Senhor presidente, este centro envia ao mundo uma mensagem clara: o Brasil e os países que compõem a região amazônica estão comprometidos com a proteção da floresta, com a segurança das comunidades que nela vivem e com a preservação de nossa casa também”, disse.

O ministro Ricardo Lewandowski também se manifestou, destacando o “nó geopolítico” que é o crime organizado transnacional e a importância de iniciativas como o CCPI e o plano Amas lançado pelo governo em 2023.

“Nós vemos aqui que há um binômio claro, uma interligação absolutamente insolúvel entre segurança e soberania. As ameaças à segurança pública, hoje, para os distintos países, constituem uma ameaça à própria soberania. É por isso que o combate, hoje, não pode mais ser local, não pode ser apenas nacional, mas precisa ser um combate que tenha a colaboração dos países contra essa verdadeira praga”, completou.