PF acusa Bolsonaro e Eduardo de ‘tentativa de golpe e coação’ no processo
A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quarta-feira (20) o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. O inquérito aponta que ambos atuaram para intimidar autoridades e obstruir investigações relacionadas à suposta ‘trama golpista’ que teria ocorrido entre 2022 e 2023.
Segundo o relatório, as acusações se baseiam em áudios e mensagens extraídos do celular de Bolsonaro, apreendido em julho. O material revela conversas apagadas com Eduardo e o pastor Silas Malafaia, que, de acordo com a PF, teriam reforçado tentativas de articulação contra as apurações. Para os investigadores, Malafaia teria atuado como orientador e apoiador em ações de coação e obstrução, o que levou à apreensão de seu celular e à proibição de deixar o país.
Os registros apontam que Bolsonaro chegou a redigir uma carta pedindo asilo político ao presidente argentino Javier Milei, em meio ao avanço das investigações. Para a PF, isso indica o temor de uma possível responsabilização criminal e a busca por alternativas para escapar da jurisdição brasileira.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, corroborou a tese da PF, manifestando-se favorável à adoção de medidas cautelares contra os investigados, sobretudo diante do risco de destruição de provas e de interferência nos inquéritos em andamento.
O relatório final foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se apresenta denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) ou se arquiva o caso. Caso a acusação seja formalizada, Bolsonaro e Eduardo poderão responder por organização criminosa, coação e tentativa de golpe de Estado, em processo que tramitará no STF.

